Premiê do Reino Unido, Keir Starmer, anuncia renúncia após crise política e pressão interna
Líder trabalhista comunicou decisão ao rei Charles III e deixa o cargo após enfrentar desgaste no governo e rebelião dentro do próprio partido
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) sua renúncia ao cargo de líder do governo britânico e do Partido Trabalhista, encerrando um período marcado por turbulências políticas, queda de popularidade e crescente pressão dentro da própria legenda.
Em pronunciamento, Starmer afirmou que todas as decisões tomadas durante sua gestão tiveram como objetivo colocar o país em primeiro lugar. "Todas as decisões que tomei foram pensando em colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que renunciarei à liderança do Partido Trabalhista", declarou.
O premiê também informou que comunicou oficialmente sua decisão ao rei Charles III. Com a saída de Starmer, o Reino Unido passará a ter seu sétimo primeiro-ministro em apenas dez anos, refletindo a instabilidade política que marcou a última década no país.
A renúncia ocorre em meio a uma forte crise interna no Partido Trabalhista. De acordo com informações divulgadas pela imprensa britânica, cerca de 100 parlamentares da legenda teriam defendido publicamente a saída do líder, ampliando a pressão sobre o governo.
Segundo o jornal britânico The Observer, Starmer concluiu que sua permanência no cargo havia se tornado insustentável após uma série de conversas realizadas nos últimos dias com ministros, assessores de Downing Street, líderes sindicais e financiadores do partido.
Rival interno ganhou força
O desgaste do primeiro-ministro aumentou após a ascensão política de Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester e uma das principais lideranças trabalhistas do país.
Burnham anunciou recentemente que pretende disputar o comando do Partido Trabalhista e ganhou projeção nacional após derrotar de forma expressiva um candidato ligado ao partido Reform UK em uma eleição parlamentar.
Com o apoio necessário de deputados da legenda, Burnham poderá forçar a realização de uma disputa interna pela liderança. Caso assuma o comando do partido, ele poderá ser automaticamente conduzido ao cargo de primeiro-ministro, já que os trabalhistas mantêm maioria no Parlamento britânico.
Popularidade em queda
Desde que assumiu o governo em 2024, Starmer enfrentou críticas por mudanças frequentes de posicionamento em temas centrais da administração e por polêmicas envolvendo integrantes do governo.
Entre os episódios mais controversos esteve a nomeação de Peter Mandelson para o posto de embaixador do Reino Unido em Washington. A indicação gerou forte repercussão devido a antigas ligações do diplomata com Jeffrey Epstein, empresário norte-americano envolvido em crimes sexuais.
O desgaste político também se refletiu nas pesquisas de opinião. Levantamento do instituto YouGov apontou que apenas 18% dos britânicos aprovavam a gestão de Starmer, enquanto 74% manifestavam desaprovação.
Trump comenta saída
A renúncia repercutiu internacionalmente e foi comentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio da rede social Truth Social.
Em mensagem, Trump desejou boa sorte ao líder britânico, mas voltou a criticá-lo por suas políticas de imigração e energia.
"Desejo-lhe tudo de bom. Ele fracassou miseravelmente em dois assuntos muito importantes: imigração e energia", escreveu o presidente norte-americano.
Nos últimos meses, Trump e Starmer protagonizaram divergências públicas sobre temas internacionais, incluindo posições relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e à política energética britânica.