31 de julho de 2025

Alerta sobre programa russo promovido por influenciadoras brasileiras levanta suspeitas de tráfico humano

No Brasil, autoridades ainda não se manifestaram formalmente sobre possíveis investigações

Por Redação
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Influenciadoras brasileiras divulgaram o programa nas redes sociais - Foto: Reprodução/ Instagram

Um suposto programa de intercâmbio e trabalho na Rússia, promovido por influenciadoras brasileiras nas redes sociais, tem gerado controvérsia internacional. Apresentado como o "Start Program", a iniciativa oferece salário mensal de até US$ 680, com moradia, seguro, passagens e documentação pagos, voltado para jovens da África, Ásia e América Latina. No entanto, investigações indicam que o programa, oficialmente chamado Alabuga Start, pode estar ligado a práticas de exploração e até tráfico de pessoas.

Com sede na Zona Econômica Especial de Alabuga, no Tartaristão (Rússia), o programa exige que candidatas tenham entre 18 e 22 anos, ensino médio completo e proficiência básica em russo. Apesar da apresentação como uma oportunidade de carreira, denúncias apontam que participantes enfrentaram condições de trabalho abusivas, baixos salários, retenção de documentos e coerção para montagem de drones militares em ambiente insalubre. Organizações internacionais, como a GI-TOC e o ISIS, alertam que o programa pode preencher critérios de tráfico humano.

Influenciadoras como MC Thammy, Aila Loures, Catherine Bascoy e Zabetta Macarini divulgaram o programa no Brasil, mas apagaram os conteúdos após a polêmica. Algumas alegam que analisaram documentos e garantias da empresa antes de aceitar a publicidade, enquanto outras devolveram os valores recebidos após a repercussão negativa. Nenhuma delas relatou ter conhecimento prévio das denúncias.

Em defesa do programa, uma jovem brasileira que viajou à Rússia através do Alabuga Start afirmou, em vídeo, que sua participação foi voluntária e sem qualquer tipo de abuso. Ela apresentou documentação e negou ter sido contratada para divulgar o projeto. Apesar disso, o Consulado da Rússia no Brasil afirmou não ter vínculo com o programa, embora possa processar vistos de quem solicita entrada no país.

O caso ganhou repercussão global após investigações da Associated Press, que relatou a exploração de mulheres africanas forçadas a montar drones militares. O governo da África do Sul emitiu um alerta oficial sobre falsas promessas de emprego, e a Interpol investiga possíveis práticas de tráfico em países como Botsuana.

No Brasil, autoridades ainda não se manifestaram formalmente sobre possíveis investigações. Especialistas em direito, como a advogada Marina Vidigal, recomendam cautela com promessas de vagas no exterior. Ela destaca a importância de verificar CNPJ, registros em órgãos oficiais, contrato claro em português e suporte da empresa durante a estadia no exterior. Sinais como promessas exageradas, pagamentos antecipados e retenção de documentos são alertas para possíveis fraudes.

Casos de suspeita de tráfico internacional de pessoas podem ser denunciados à Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério do Trabalho, além dos canais Disque 100 e Disque 180, que atendem de forma anônima. O Itamaraty reforçou que está à disposição para prestar apoio consular a brasileiros em situação de risco no exterior e atua em campanhas de conscientização contra o tráfico de pessoas.