Casos de coqueluche em crianças disparam 1200% no Brasil
Doença prevenível por vacina já causou 2.152 infecções em menores de 5 anos; especialistas alertam para baixa cobertura vacinal e ciclicidade da bactéria
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Os casos de coqueluche em crianças pequenas aumentaram mais de 1200% no Brasil, conforme alerta do Observatório de Saúde na Infância. Em 2024, foram registrados 2.152 casos da doença em menores de 5 anos - número superior à soma dos cinco anos anteriores - resultando em 665 internações e 14 mortes. A coordenadora do Observatório, Patrícia Boccolini, questiona a tragédia evitável: "Como explicar todas essas crianças que morreram de algo totalmente prevenível?".
A coqueluche, infecção respiratória causada pela bactéria Bordetella pertussis, pode ser prevenida com a vacinação adequada. Bebês devem receber três doses da vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses, enquanto gestantes precisam ser imunizadas com a DTPa em todas as gestações para proteger os recém-nascidos. Segundo dados da Fiocruz e Unifase, mais da metade dos casos de 2023 ocorreram em crianças menores de 1 ano, faixa etária que responde por mais de 80% das internações.
Especialistas atribuem o surto a múltiplos fatores, incluindo a retomada dos ciclos naturais da doença no pós-pandemia e as desigualdades nas coberturas vacinais entre municípios. Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que "a coqueluche tem essa característica de ciclicidade" e destaca a importância da vacinação gestacional como principal proteção para bebês nos primeiros meses de vida. A situação preocupa toda a região das Américas, onde nove países notificaram mais de 18 mil casos e 128 mortes nos primeiros sete meses de 2025.