31 de julho de 2025
Fake News

Presidente do Sinteal chama de “método fascista” ataques a professora que utilizou cartilha sobre gênero em escola estadual

Izael Ribeiro afirma que vereadores da extrema direita promovem perseguição a docentes e defende que protocolos da própria Seduc amparam o trabalho pedagógico

Por Vinícius Rocha
Publicado em
Izael Ribeiro, presidente do Sinteal - Foto: Reprodução

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Izael Ribeiro, reagiu nesta quinta-feira (9) à repercussão do caso envolvendo uma professora da Escola Estadual Professor Edmilson de Vasconcelos, em Maceió, que foi denunciada na Câmara Municipal por supostamente repassar a alunos uma cartilha sobre gênero e sexualidade.

Em pronunciamento, Izael classificou as críticas feitas por vereadores à docente como “ataques com métodos fascistas” e afirmou que a categoria tem sido alvo de perseguições políticas. “Vereadores da extrema direita da Câmara Municipal de Maceió voltam a atacar professores da rede pública, com métodos fascistas, utilizando fake news e jogando a comunidade escolar contra esses profissionais”, declarou.

No vídeo após o caso, Izael mostra a capa do protocolo da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) "Prevenção e Enfrentamento da LGBTFOBIA nas Unidades de Ensino da Rede Pública Estadual de Alagoas. “Primeiro, nós temos um referencial que nos orienta na luta estratégica contra qualquer forma de LGBTQIAPN+fobia. Segundo, nós temos os projetos integradores, que utilizam uma metodologia de escuta dos estudantes, onde eles escolhem os temas que verão durante o período. Terceiro, esses projetos são acompanhados pelo articulador, pelo coordenador pedagógico e por toda a equipe diretiva”, explicou, argumentando que o trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas segue protocolos da própria Seduc.

A polêmica começou após o vereador Caio Bebeto (PL) denunciar, durante sessão ordinária, o uso de uma cartilha intitulada ‘Vamos falar sobre gênero e sexualidade’, elaborada pelo Instituto Federal de São Paulo, em uma turma do 9º ano da escola estadual. O parlamentar criticou trechos do material e disse que o conteúdo seria “inadequado para a faixa etária dos alunos”.

Em nota oficial divulgada somente um dia após o pronunciamento de Bebeto, a Seduc afirmou não ter autorizado, distribuído ou recomendado o uso da cartilha, ressaltando que o material não integra o currículo oficial da rede. A pasta informou ainda que o caso está sendo acompanhado pela equipe pedagógica da Secretaria junto à direção da escola.

O presidente do Sinteal cobrou da Secretaria maior transparência sobre essas diretrizes, afirmando que a divulgação dos procedimentos internos é essencial para evitar que professores sejam alvos de desinformação e ataques. “É muito importante que a Seduc publicize os protocolos para que os professores possam se proteger dos ataques dos parlamentares de extrema direita. Eles estão promovendo uma verdadeira violência em nossas escolas”, afirmou.

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