Após três decisões judiciais, idoso aguarda há quase um ano por cirurgia cardíaca em Alagoas
Família denuncia que paciente de 68 anos segue sem procedimento considerado urgente
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Uma reportagem exibida pelo Jornal da Francês nesta segunda-feira (22) revelou o drama vivido pelo aposentado Jorge Ferreira, de 68 anos, que aguarda há quase um ano a realização de uma cirurgia cardíaca considerada urgente, mesmo após obter três decisões judiciais favoráveis determinando o procedimento.
Usuário do plano de saúde Amil há 14 anos, Jorge enfrenta o agravamento de seu quadro clínico enquanto aguarda uma autorização adequada para a cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena.
Segundo familiares, embora existam decisões da Justiça determinando o cumprimento do procedimento, as liberações emitidas pelo plano apresentariam divergências em relação ao pedido médico.
"Já existe ordem judicial para o cumprimento do procedimento do meu pai e a Amil simplesmente está negando. Eles liberam o procedimento, mas quando a autorização chega à Santa Casa é identificado que ela está em desacordo com a solicitação médica. Em uma das liberações, inclusive, veio material destinado a uma cirurgia infantil, quando o documento deixa claro que o paciente é um adulto", relatou um familiar durante a reportagem.
A situação teve início em 2015, quando Jorge precisou passar por um procedimento cardíaco para implantação de stents após apresentar sintomas durante atividades físicas. Com o passar dos anos, as dores e limitações aumentaram, levando os médicos a indicarem a realização da cirurgia como medida necessária para evitar complicações mais graves.
De acordo com a família, os especialistas alertaram que o procedimento deveria ser realizado com urgência devido ao risco de agravamento da doença.
"O médico foi muito claro ao afirmar que a cirurgia precisa ser feita o quanto antes. Estamos convivendo diariamente com o medo de que aconteça o pior. O psicológico dele e de toda a família já está bastante abalado", afirmou.
A espera também transformou completamente a rotina do aposentado. Antes ativo e acostumado a praticar esportes e realizar caminhadas, Jorge hoje passa a maior parte do tempo em repouso.
"Eu gostava de jogar bola, fazer minhas caminhadas e cuidar das minhas coisas. Hoje não consigo mais. Não posso andar poucos metros sem sentir dores e desconforto. Até para comprar um pão ficou difícil", relatou emocionado.
Exames recentes apontaram batimentos cardíacos em torno de 40 por minuto, além de alterações na glicemia, reforçando a necessidade de acompanhamento e intervenção médica.
Enquanto aguarda uma solução definitiva, Jorge afirma que se apega à fé e à esperança de recuperar sua qualidade de vida.
"Peço a Deus minha saúde e que essa cirurgia aconteça para que eu possa continuar vivendo e aproveitando minha vida ao lado da minha família", declarou.
O espaço permanece aberto para manifestação do Grupo Amil sobre as denúncias apresentadas pela família e exibidas na reportagem do Jornal da Francês.