CPMI das Fraudes do INSS ouve empresário ligado a Nelson Wilians
Fernando Cavalcanti, ex-sócio de advogado com prisão autorizada, e presidente da Conafer, entidade que arrecadou R$ 688 milhões, depõem nesta segunda
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realiza nesta segunda-feira (29) dois depoimentos de alto interesse para as apurações. Os convocados são o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti e o pecuarista Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Fernando Cavalcanti, uma figura conhecida no meio corporativo e político de Brasília, é citado nas investigações da Polícia Federal (PF) como ex-sócio do advogado Nelson Wilians Rodrigues. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), já obteve a aprovação da comissão para um pedido de prisão preventiva de Nelson Wilians, que agora aguarda análise do Supremo Tribunal Federal (STF). A convocação de Cavalcanti se deve à sua "participação em estruturas societárias" ligadas ao advogado e sua "proximidade com o ambiente empresarial" de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", figura central no esquema.
O outro depoente, Carlos Roberto Ferreira Lopes, é investigado no contexto de sua presidência na Conafer. Segundo apurações da Controladoria-Geral da União (CGU), a entidade teria arrecadado aproximadamente R$ 688 milhões das remunerações de trabalhadores rurais e indígenas inativos desde 2019. O empresário, que também é dono de uma empresa de reprodução bovina (Concepto Vet), expandiu os negócios da Conafer para a África, onde a organização celebrou a filiação de seus primeiros "agrofamiliares" em países como Ruanda, Congo, Uganda e Tanzânia.
Os depoimentos buscam esclarecer as conexões entre os investigados e a extensão do suposto esquema de desvios de recursos, que envolve desde fraudes em aposentadorias até a atuação de entidades do setor.