31 de julho de 2025
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Leite de jumenta pode chegar a UTIs neonatais de PE em 2026, aponta pesquisa da UFAPE

Estudo em Garanhuns busca alternativa ao leite materno para recém-nascidos; produto é considerado o mais similar ao leite humano e menos alergênico

Por Redação
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Ideia é que o leite de jumenta possa integrar tanto o SUS quanto o setor privado - Foto: Reprodução/UFAPE

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), em Garanhuns, pretende disponibilizar leite de jumenta para hospitais neonatais de Pernambuco até o início de 2026. O estudo, em fase avançada de testes laboratoriais, avalia a segurança, conservação e valor nutricional do produto, considerado o mais similar ao leite humano em composição e menos propenso a causar alergias que o leite de vaca.

Segundo o professor Jorge Lucena, coordenador do projeto, a ideia é que o leite de jumenta possa integrar tanto o SUS quanto o setor privado, seguindo modelo já adotado na Itália, onde UTIs neonatais utilizam exclusivamente leite humano ou asinino. "Nas nossas pesquisas observamos que a melhor forma de aumentar o tempo de prateleira desse leite, é na forma em pó, já que ainda não temos grandes fazendas (na verdade quase nenhuma) aqui no Nordeste", explicou Lucena, destacando a escassez de criatórios de jumentos no Nordeste.

Além do benefício para recém-nascidos, o projeto contribui para a preservação da espécie asinina, que sofreu redução de 94% na população brasileira entre 1996 e 2025, caindo de 1,37 milhão para pouco mais de 78 mil animais.

O rebanho da UFAPE é mantido sob rigoroso controle sanitário, com vacinação e monitoramento constante contra mastite. O processo de liofilização, que transforma o leite em pó sem perder propriedades nutricionais, está sendo testado para garantir maior durabilidade do produto. A pesquisa também desenvolve derivados como queijos, sorvetes e cosméticos, aproveitando as propriedades antibacterianas do leite asinino.