Lula reúne BRICS em cúpula virtual para discutir tarifaço de Trump e crise global
Reunião virtual ocorre nesta segunda-feira (8) com 11 países; Brasil busca fortalecer multilateralismo e promover alternativas ao dólar nas trocas comerciais
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou e liderou uma reunião virtual de emergência com os líderes dos países do BRICS na manhã desta segunda-feira (8 de setembro de 2025). O encontro foi organizado pelo Brasil, que atualmente exerce a presidência rotativa do bloco, e incluiu representantes de 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Irã e Arábia Saudita. O principal objetivo da cúpula foi coordenar estratégias conjuntas para responder ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que recentemente sobretaxou produtos de vários membros do BRICS em 50%, além de discutir temas urgentes como as guerras na Ucrânia e Gaza e a necessidade de reformas nas instituições globais.
A reunião concentrou-se no fortalecimento do multilateralismo e na promoção de mecanismos alternativos de comércio que reduzam a dependência do dólar estadunidense. Lula defendeu o uso de moedas locais nas transações entre os países do Sul Global, uma medida interpretada por especialistas como uma resposta direta à hegemonia económica dos EUA. O bloco tem sido visto por Washington como uma ameaça estratégica, especialmente devido aos seus esforços para criar sistemas financeiros independentes.
Além das questões econômicas, Lula reforçou o convite para que os líderes do BRICS participem ativamente da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas agendada para novembro de 2025 em Belém. O presidente brasileiro destacou a importância de destravar mecanismos de financiamento para a proteção de florestas tropicais e a transição energética, temas centrais para o Brasil e outros países em desenvolvimento.
A reunião ocorreu em um tom deliberadamente cauteloso. Seguindo orientações do Palácio do Planalto, Lula evitou provocações diretas contra o presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de não agravar as tensões ou incentivar novas sanções. Essa abordagem reflete a complexidade do momento, já que o Brasil também enfrenta pressões internas relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Esta foi a primeira reunião extraordinária do BRICS desde a cúpula do Rio de Janeiro, realizada dois meses atrás, e destacou a crescente coordenação do bloco em meio a um cenário internacional turbulento.