31 de julho de 2025
CPMI DO INSS

Contador nega ser sócio do "Careca do INSS" em depoimento tenso na CPMI

Milton Salvador, que recebia R$ 60 mil/mês para assessoria, alega não conhecer esquema fraudulento

Por Redação
Publicado em
Carlos Viana, presidente da CPMI, ao lado de Milton Salvador de Almeida Junior, contador que trabalhou com o "Careca do INSS" - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Em depoimento tenso à CPMI do INSS nesta quinta-feira (18), o técnico em contabilidade Milton Salvador de Almeida Junior negou veementemente ser sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", preso por liderar esquema de fraudes em descontos previdenciários. Salvador, que prestava serviços de assessoria financeira às empresas do grupo, recebia R$ 60 mil mensais – o dobro de seu salário anterior – mas afirmou não ter conhecimento das irregularidades até a deflagração da operação da Polícia Federal.

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), inicialmente elogiou a postura do depoente por comparecer sem habeas corpus, mas retirou o apoio após contradições nas explicações. "Está difícil acreditar nas informações", declarou Gaspar, após questionamentos de parlamentares como Paulo Pimenta (PT-RS) e Rogério Marinho (PL-RN). Salvador admitiu ter emitido notas fiscais de até R$ 10 milhões mensais para associações como a Ambec, mas alegou que os controles eram terceirizados e que confiou nas negativas do "Careca" sobre ilegalidades.

O vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), alertou para a tese de "dolo eventual": mesmo sem intenção direta, Salvador assumiu os riscos ao continuar trabalhando após indícios de irregularidades. O senador Izalci Lucas (PL-DF), também contador, foi enfático: "Não aceito que um profissional da área não desconfiasse de volumes tão altos sem critérios".

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), conclamou colegas a focarem na "indústria de fraudes" e fez apelo direto ao STF: "Deixem esta CPMI trabalhar". Os parlamentares buscam esclarecer o destino de bilhões desviados de aposentados e a possível proteção a envolvidos de alto escalão. Salvador segue com bens bloqueados e terá seu depoimento cruzado com futuras oitivas de outros investigados, como o filho do "Careca" e o antecessor na assessoria financeira.

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