CPMI do INSS intensifica investigação sobre fraudes bilionárias com apoio do STF
Relator Alfredo Gaspar (União-AL) destaca papel central de advogado que se recusou a colaborar. Comissão prepara nova lista prioritária de depoimentos e pode pedir prorrogação
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga descontos fraudulentos em benefícios do INSS entrou em uma nova fase, com medidas mais firmes para apurar o esquema estimado em R$ 6 bilhões. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou nesta quinta-feira (18) que o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a adotar posição mais favorável ao comparecimento obrigatório de convocados – com exceção de investigados presos, como o "Careca do INSS" e o empresário Maurício Camisotti.
Em sessão realizada nesta quinta, a CPMI ouviu o advogado Nelson Willians Rodrigues, que movimentou mais de R$ 4 bilhões e é apontado como peça central no esquema. Apesar de detido pela Polícia Federal, Rodrigues compareceu amparado por habeas corpus e limitou-se a negar qualquer participação nas fraudes. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), destacou que o silêncio do advogado foi significativo: "Chega como testemunha e sai como provável investigado".
A comissão aprovou 179 requerimentos de informação e convocação, incluindo ministros de Estado e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Há ainda a previsão de se pedir ao STF informações sobre eventuais políticos envolvidos no esquema. "Se houve político que favoreceu o roubo da Previdência, a população tem o direito de saber", afirmou Viana.
Diante da complexidade das investigações – que envolvem lavagem de dinheiro e fraudes entre 2019 e 2024 –, a CPMI estuda elaborar uma lista prioritária com cerca de 80 convocados e pode pedir prorrogação de seus trabalhos.