31 de julho de 2025
POLÍCIA

Quase 20 anos após assassinato de Marcos Karatê, policial civil condenado é demitido pelo Governo de Alagoas

Miguel Rocha Neto foi condenado pela morte do professor de artes marciais e perdeu definitivamente o cargo após decisão judicial transitada em julgado

Por Redação
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Governo de Alagoas oficializou a demissão de Miguel Rocha Neto após condenação definitiva na Justiça. - Foto: Reprodução

O Governo de Alagoas oficializou nesta quinta-feira (18) a demissão do policial civil Miguel Rocha Neto, condenado pelo assassinato do comerciante e professor de artes marciais Marcos Antônio Dias Alves Filho, conhecido em todo o estado como Marcos Karatê. A decisão foi publicada no Diário Oficial e encerra uma longa trajetória judicial iniciada após o crime que chocou a sociedade alagoana em 2007.

A exclusão do servidor dos quadros da Polícia Civil foi determinada em razão do trânsito em julgado de uma condenação pelos crimes de extorsão e organização criminosa. A sentença estabeleceu, entre seus efeitos, a perda do cargo público, medida agora cumprida pelo Estado.

O nome de Miguel Rocha Neto ganhou repercussão nacional após ele ser apontado como responsável pelo assassinato de Marcos Karatê, executado em frente à sua lan house, localizada na Avenida Luiz Ramalho de Castro, no bairro da Jatiúca, em Maceió.

As investigações apontaram que câmeras de segurança registraram toda a ação criminosa. As imagens mostraram a vítima sendo atingida pelos primeiros disparos, tentando correr para escapar do atirador e, posteriormente, sendo novamente alvejada após cair no chão.

Cinco dias depois do crime, Miguel Rocha Neto se apresentou às autoridades e confessou a autoria dos disparos. Em 2009, ele foi condenado a 14 anos de prisão pelo homicídio de Marcos Karatê. Além disso, também recebeu condenação por ter ferido um sobrinho da vítima, atingido de raspão durante a ação criminosa.

Apesar da condenação pelo assassinato, a situação funcional do policial continuou sendo alvo de disputas judiciais ao longo dos anos. Em determinado momento, uma decisão da Justiça anulou uma punição administrativa que havia determinado sua exclusão da corporação, permitindo que ele retornasse aos quadros da Polícia Civil.

Entretanto, novos processos vieram a agravar sua situação. Em 2018, Miguel Rocha Neto foi condenado pela 17ª Vara Criminal da Capital a 26 anos e três meses de prisão pelos crimes de extorsão e organização criminosa.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas, ele integrava um grupo acusado de praticar cobranças ilegais ligadas à agiotagem, utilizando ameaças, intimidação armada e violência para extorquir vítimas na capital e em municípios do interior do estado.

Foi justamente essa condenação que serviu de fundamento para a perda definitiva do cargo público. A Procuradoria-Geral do Estado sustentou que a sentença já havia transitado em julgado, não existindo mais possibilidade de recursos capazes de suspender seus efeitos.

A defesa do policial tentou impedir a demissão alegando que ainda existiriam discussões judiciais em andamento e que a medida representaria uma antecipação da pena. O argumento, porém, foi rejeitado pela Procuradoria, que destacou a obrigatoriedade do cumprimento da decisão judicial definitiva.