31 de julho de 2025
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"Não podemos naturalizar esses absurdos", diz Lula sobre racismo ao abrir conferência na promoção da igualdade racial

Presidente esteve na Conapir, na noite dessa segunda-feira (15), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília

Por Redação
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5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) - Foto: Ricardo Sturckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na noite dessa segunda-feira (15) da abertura da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Em seu discurso, o presidente reconheceu avanços em políticas afirmativas, mas afirmou que o Brasil ainda convive com um "racismo de todos os dias".

O evento, que não era realizado há sete anos, reúne até o fim da semana cerca de 1,7 mil delegados, 200 convidados, além de observadores e expositores para debater o tema "Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial".

Lula citou, sem mencionar diretamente, o caso recente da escritora Lilia Guerra, autora de "O Céu para os Bastardos", que foi injustamente acusada de furtar itens de uma pousada após participar da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

"Não podemos naturalizar esses absurdos. Não podemos achar normal que uma escritora negra, convidada de um festival literário, seja injustamente acusada de furtar objeto da pousada em que se hospedou", declarou Lula. "É inaceitável que um ser humano tenha oportunidades limitadas ou esteja sempre sob suspeita por causa da cor da pele."

O presidente também criticou a criminalização de jovens negros da periferia, "que continuam a ser alvos preferenciais das forças de repressão", e definiu o racismo não apenas como um crime, mas como uma "doença" a ser erradicada.

Participação social como base


Lula e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacaram a importância da participação popular na construção de políticas públicas. A ministra afirmou: "A gente sabe que só se constrói política pública de qualidade com o povo e na coletividade".

O presidente fez um contraste com o governo anterior, sem citar nomes: "Passamos sete anos com governo que jamais pensou em fazer uma conferência para ouvir as mulheres e os homens negros deste país". Ele ressaltou que a participação social é "essencial" para seu modo de governar e que a assertividade das políticas depende de se ouvir quem é o seu destinatário.

Sobre a 5ª Conapir


A conferência foi construída em etapas, incluindo fases municipais, estaduais, uma plataforma digital (Brasil Participativo) e plenárias temáticas. Os debates incluirão grupos de trabalho e "xirês" (rodas de discussão em Yorubá), com participação de representantes de comunidades quilombolas, ciganos, indígenas, povos de terreiro, população LGBTQIA+ e juventude negra.