31 de julho de 2025
SAÚDE

SUS pode oferecer PrEP injetável contra o HIV ainda em 2026; medicamento aguarda aprovação

Ministério da Saúde vai solicitar à Conitec a incorporação do cabotegravir, medicamento aplicado a cada dois meses que amplia a prevenção contra o HIV e melhora a adesão ao tratamento

Por Redação
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Cabotegravir poderá ser incorporado ao SUS como nova estratégia de prevenção ao HIV, com aplicação a cada dois meses. - Foto: Divulgação

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá disponibilizar ainda em 2026 uma nova estratégia de prevenção ao HIV. O Ministério da Saúde confirmou que encaminhará na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para incluir o cabotegravir, medicamento injetável utilizado na profilaxia pré-exposição (PrEP), que oferece proteção prolongada contra o vírus com aplicações a cada dois meses.

Caso receba parecer favorável e seja aprovado pelo governo federal, o medicamento passará a integrar a rede pública de saúde, ampliando as opções de prevenção para pessoas com maior risco de exposição ao HIV.

Como funciona o cabotegravir

O cabotegravir é um antirretroviral de ação prolongada que impede a replicação do HIV no organismo. Diferentemente da PrEP oral, disponível atualmente no SUS e administrada por meio de comprimidos diários, a versão injetável é aplicada a cada dois meses, o que pode facilitar a adesão ao tratamento preventivo.

Antes da incorporação, a Conitec avaliará aspectos como eficácia clínica, impacto orçamentário e custo-benefício. Embora a comissão emita uma recomendação técnica, a decisão final sobre a inclusão do medicamento cabe ao Ministério da Saúde.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK o preço final e o quantitativo de doses que serão adquiridas. De acordo com o ministro, a empresa apresentou uma proposta considerada compatível com a política pública.

Governo descarta lenacapavir por causa do preço

Durante coletiva realizada antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de AIDS, no Rio de Janeiro, Padilha explicou que outro medicamento inovador, o lenacapavir, chegou a ser analisado, mas teve sua incorporação descartada neste momento devido ao alto custo.

O medicamento oferece proteção por até seis meses, porém, segundo o ministro, o valor apresentado pela fabricante permaneceu acima do considerado viável para o sistema público de saúde, mesmo após negociações.

O Brasil participou dos estudos clínicos do lenacapavir, mas ficou fora do acordo de licenciamento voluntário firmado pela farmacêutica Gilead, que autorizou a produção de versões genéricas em 120 países.

A decisão foi criticada por especialistas e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), que considera o medicamento uma ferramenta estratégica para reduzir as novas infecções em nível mundial.

Em nota, a Gilead afirmou que busca alternativas para ampliar o acesso ao medicamento na América Latina e informou ter firmado um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para estudar possibilidades de transferência de tecnologia e futura fabricação no Brasil.

PrEP oral continuará disponível

O SUS já oferece gratuitamente a PrEP oral, composta por comprimidos de uso diário, utilizada por mais de 350 mil pessoas em todo o país.

Estudo realizado pela Fiocruz com cerca de 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras apontou que 83% preferiram a versão injetável. Além disso, 94% compareceram às aplicações dentro do prazo previsto, garantindo proteção contínua durante o acompanhamento. Nenhum participante foi infectado pelo HIV ao longo do estudo.

Outro levantamento, conduzido pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, registrou taxa anual de infecção de apenas 0,1%, reforçando a alta eficácia do cabotegravir na prevenção da doença.

Caso seja aprovado pela Conitec e incorporado ao SUS, o medicamento deverá ampliar o acesso à prevenção e facilitar a adesão ao tratamento, fortalecendo as estratégias brasileiras de enfrentamento ao HIV.