Sem apoio do Centrão, PT e PL chegam às convenções com alianças menores que em 2022
Partidos de centro priorizam as disputas pelo Congresso e evitam compromisso com Lula, Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado no primeiro turno
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PT e PL chegam às convenções nacionais de 2026 com coligações mais enxutas do que as formadas na eleição presidencial de 2022. O movimento ocorre porque partidos do Centrão têm optado pela neutralidade no primeiro turno, priorizando a eleição de deputados e senadores e evitando uma associação direta com os polos representados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A estratégia também não favoreceu o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), apesar de ele integrar uma legenda identificada com o centro. Segundo a reportagem, a principal preocupação dessas siglas é fortalecer suas bancadas no Congresso Nacional e manter liberdade para negociar com o futuro governo após a eleição.
Na semana passada, a direção da federação formada por União Brasil e PP decidiu não apoiar nenhum candidato presidencial no primeiro turno. Republicanos e Podemos também caminham para a neutralidade. O cenário contrasta com 2022, quando PP e Republicanos formalizaram apoio à candidatura de Jair Bolsonaro antes das convenções partidárias.
O enfraquecimento das alianças tem impacto maior sobre Flávio Bolsonaro, que esperava reunir partidos do Centrão para aumentar seu tempo na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, além de utilizar a estrutura de prefeitos e vereadores dessas legendas nos municípios. O cálculo do tempo de propaganda considera o tamanho das bancadas eleitas para o Congresso. A federação entre PP e União Brasil deve concentrar cerca de 20,78% do espaço disponível.
Até o momento, o PL não conseguiu formalizar novos apoios nacionais e ainda tenta atrair o Republicanos. A candidatura de Flávio enfrenta dificuldades desde que ele foi escolhido para representar o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro de 2025. A expectativa inicial era de que o nome lançado pela direita conseguisse aproximar partidos de centro, cenário que começou a perder força após a definição do senador como candidato.
Do lado de Lula, a aliança conta com a federação formada por PT, PCdoB e PV, além do apoio do PSB, do PDT e da federação PSOL-Rede. Mesmo assim, a composição será menor do que a frente formada em 2022, após o afastamento de Avante e Solidariedade. O Prós, que apoiou Lula naquela eleição e posteriormente foi incorporado ao Solidariedade, também deixou de integrar a aliança.
O apoio do PDT representa uma novidade. Será a primeira vez em 12 anos que a legenda apoiará um candidato petista à Presidência já no primeiro turno. A última ocasião foi em 2014, quando o partido integrou a coligação de Dilma Rousseff. Nas duas eleições seguintes, lançou Ciro Gomes ao Palácio do Planalto.
Os partidos de centro pretendem repetir nas eleições gerais a força demonstrada no pleito municipal de 2024, quando elegeram prefeitos em 63% das cidades brasileiras. A presença expressiva de prefeitos e vereadores garante ao grupo capacidade de mobilização eleitoral e amplia seu peso político, principalmente em um eventual segundo turno.
A neutralidade também permite que as siglas mantenham canais abertos com qualquer candidato eleito. No terceiro mandato de Lula, partidos como PP, Republicanos, PSD e MDB indicaram ministros e ocuparam espaços no governo, mesmo sem terem integrado formalmente a coligação petista em 2022. Apesar disso, a presença dessas legendas na Esplanada não garantiu ao Planalto uma base estável no Congresso nem o apoio à tentativa de reeleição.
Além de Lula e Flávio, candidatos que buscam romper a polarização tentam se apresentar como alternativa. Ronaldo Caiado deixou o União Brasil após não conseguir apoio interno e se filiou ao PSD. A chapa terá como candidato a vice o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Caiado ainda pretende buscar o apoio de PP e União Brasil, apesar da neutralidade anunciada pelas duas siglas.
Também estão na disputa o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), que ainda não definiu seu candidato a vice, e Renan Santos, do partido Missão, que se apresenta como um nome contrário tanto ao bolsonarismo quanto ao petismo