31 de julho de 2025
POLÍTICA NACIONAL

Governo Lula prepara resposta a Milei, mas tenta preservar relação institucional com a Argentina

Planalto avalia reação às declarações do presidente argentino, mas busca evitar que a crise política afete os laços diplomáticos e comerciais entre os dois países

Por Redação
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e presidente da Argentina, Javier Milei - Foto:

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma resposta às declarações feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, durante sua passagem pelo Brasil, mas trabalha para que a reação não provoque um rompimento nas relações institucionais entre os dois países.

Segundo integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty, a principal insatisfação do governo brasileiro não está apenas no conteúdo das críticas, mas no fato de elas terem sido feitas em território nacional, durante um evento político ligado à campanha presidencial brasileira. A avaliação é que a postura de Milei extrapolou o campo das divergências ideológicas e atingiu a relação diplomática entre Brasil e Argentina.

Nos bastidores, o governo defende uma resposta considerada firme, mas sem comprometer a parceria histórica entre os dois países, que mantêm forte integração econômica, comercial e política no âmbito do Mercosul. A estratégia é separar os ataques do presidente argentino da relação institucional construída entre os Estados.

Como parte da reação, o Itamaraty convocou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, uma das medidas diplomáticas mais duras adotadas em situações de crise entre países. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro também solicitou explicações ao representante diplomático da Argentina em Brasília.

Apesar da escalada da tensão, auxiliares de Lula defendem que preservar o diálogo institucional é essencial diante da importância econômica da Argentina para o Brasil. Os dois países figuram entre os principais parceiros comerciais da América do Sul, com forte integração nas cadeias produtivas, especialmente dos setores automotivo, industrial e agrícola.

A crise foi intensificada após Milei participar da convenção nacional do PL, em São Paulo, onde fez críticas ao presidente Lula, ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações provocaram reação imediata do Planalto e abriram um novo capítulo no desgaste diplomático entre os dois governos.