31 de julho de 2025
POLÍTICA NACIONAL

Terreno de Jaques Wagner valorizou 115 vezes após rodovia planejada em sua gestão

Área comprada por R$ 28 mil em 2000 foi negociada por R$ 15 milhões; transferência acabou suspensa pelo STF no âmbito da investigação do Banco Master

Por Redação
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Senador Jaques Wagner (PT-BA) - Foto:

Um terreno pertencente ao senador Jaques Wagner (PT-BA) teve valorização de aproximadamente 11.400% acima da inflação depois que uma rodovia planejada e contratada durante o período em que ele governou a Bahia passou a cortar a região onde a propriedade está localizada. A área foi negociada por R$ 15 milhões, mas a transferência foi suspensa por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O imóvel, com cerca de 51 mil metros quadrados, foi comprado por Wagner em março de 2000, quando ele exercia mandato de deputado federal. O valor da aquisição foi de R$ 28 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 130 mil em valores corrigidos. Vinte e cinco anos depois, o terreno foi vendido por um preço 115 vezes superior ao valor atualizado da compra.

A propriedade fica às margens da Via Metropolitana, estrada de 11,2 quilômetros criada como alternativa à Estrada do Coco e como novo eixo de expansão da Região Metropolitana de Salvador. Estudos para a construção da via começaram, ao menos, em 2011, durante o governo de Jaques Wagner.

Em setembro de 2014, ainda sob o comando do petista, o Governo da Bahia assinou um aditivo ao contrato da concessionária Bahia Norte, prorrogando de 25 para 30 anos a concessão do sistema BA-093 e viabilizando a nova rodovia. As obras começaram em janeiro de 2015, já no governo Rui Costa, e foram concluídas em 2018, com investimento de R$ 220 milhões.

A região onde fica o terreno passou a atrair grandes empreendimentos após a inauguração da estrada. No local será construído um residencial de alto padrão integrado ao novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia, projeto anunciado como parceria entre o City Football Group, a QPC Incorporadora e o Grupo Terere.

O contrato de venda previa o pagamento antecipado de R$ 2 milhões a Jaques Wagner. Os outros R$ 13 milhões seriam pagos por meio de unidades imobiliárias do futuro empreendimento. O terreno do senador corresponde a cerca de 4% da área total destinada ao projeto.

A transferência da propriedade foi interrompida em 25 de junho por determinação do ministro André Mendonça. A medida integra a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

A decisão impôs restrições às atividades econômicas do senador, incluindo o bloqueio de contas, bens e valores. Além do terreno, também foi suspensa a venda de um apartamento de Wagner, localizado no Corredor da Vitória, em Salvador, negociado por R$ 10 milhões. Somados, os dois negócios renderiam R$ 25 milhões ao parlamentar.

Na última eleição que disputou, em 2018, Jaques Wagner declarou patrimônio de R$ 3,3 milhões à Justiça Eleitoral.

Após ser questionado sobre o caso, o senador afirmou que a estrada retirou uma parte da propriedade e que ele optou por não receber indenização pela desapropriação.

Wagner também minimizou a valorização, argumentando que o aumento de preço ocorreu ao longo de 26 anos. Segundo ele, a Via Metropolitana foi construída para beneficiar a população da Bahia e o traçado foi definido por critérios técnicos.

A empresa Lagoons Empreendimentos afirmou que a negociação foi regular, passou por análise de mercado e não tem relação com a concepção do residencial, elaborado décadas depois da compra original do terreno. A defesa do senador também declarou que os esclarecimentos estão sendo apresentados no processo.

Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas ao Banco Master. Ele nega irregularidades.