31 de julho de 2025
ALAGOAS

MPAL requer mais de 400 anos de prisão para grupo criminoso investigado na Operação Portorium

Investigação apura organização criminosa por fraudes tributárias, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e corrupção com prejuízo superior a R$ 100 milhões em ICMS

Por Redação
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Ministério Público de Alagoas (MPAL) - Foto: Reprodução/Facebook

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (Gaesf), requereu à Justiça a condenação dos integrantes de uma organização criminosa investigada na Operação Portorium. Somadas, as penas solicitadas chegam a 411 anos de prisão. Desse total, 200 anos e dois meses correspondem às punições requeridas para os três investigados apontados como responsáveis pela estrutura do esquema.

Conforme a denúncia, o grupo é acusado de praticar fraudes tributárias, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e corrupção. As investigações tiveram início a partir da empresa Trading de Importação de Vinhos, apontada como uma das maiores devedoras de ICMS em Alagoas. Segundo o MP, o débito tributário ultrapassa R$ 100 milhões em razão do não recolhimento do imposto estadual.

As apurações indicam que a organização utilizava sócios ocultos, pessoas interpostas e um testa de ferro para esconder a estrutura do grupo e administrar as atividades investigadas. Além da empresa principal, o esquema contaria com empresas registradas em nome de terceiros para movimentação de recursos e ocultação de patrimônio, dificultando a identificação dos beneficiários das operações.

O Ministério Público denunciou 11 pessoas à 17ª Vara Criminal da Capital, especializada no combate ao crime organizado. A investigação também identificou a participação de um servidor da Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas (Sefaz/AL), atualmente aposentado e investigado em outra operação do Gaesf, além de uma analista do Poder Judiciário. O órgão informou que a denúncia poderá ser ampliada caso novos envolvidos sejam identificados durante o andamento das investigações.

Como desdobramento da Operação Portorium, o Gaesf solicitará à Secretaria da Fazenda a abertura de um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR), com fundamento na Lei Federal nº 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção. O Ministério Público também comunicará a Receita Federal para participação nas próximas fases da investigação.

Em nota, o coordenador do Gaesf, promotor de Justiça Cyro Blatter, afirmou que a denúncia reforça a atuação do Ministério Público no combate às organizações criminosas, à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal, em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda e a Procuradoria-Geral do Estado.

O nome da operação faz referência ao termo Portorium, utilizado na Roma Antiga para designar tributos, pedágios e taxas cobrados sobre o transporte de mercadorias entre cidades, estradas e fronteiras.