Quadrilha investigada por falso investimento movimentou R$ 188 milhões em dois anos, diz polícia
Grupo suspeito de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro usava empresas de fachada, contas de terceiros e criptomoedas; operação cumpriu mandados em Pernambuco
Publicado em
Uma organização criminosa investigada por aplicar golpes por meio de falsas plataformas de investimento movimentou mais de R$ 188 milhões em cerca de dois anos, segundo a Polícia Civil de Goiás. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (23), durante a segunda fase da Operação Dark Wallet, que teve apoio da Polícia Civil de Pernambuco.
Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de Recife, Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Goiana e Caruaru. A investigação apura os crimes de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
De acordo com o delegado Caio Menezes, adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), o grupo atraía vítimas com promessas de altos lucros em supostos investimentos, utilizando sites e aplicativos falsos para dar aparência de legitimidade ao esquema.
Segundo a polícia, as plataformas simulavam rendimentos inexistentes e, em alguns casos, devolviam pequenos valores às vítimas para ganhar credibilidade e incentivar novos depósitos.
As investigações apontam que o dinheiro obtido com os golpes era movimentado por empresas de fachada, contas de terceiros e carteiras de criptomoedas, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos. Três empresas investigadas receberam, juntas, mais de R$ 188 milhões, embora, segundo a polícia, não exercessem atividade empresarial compatível com esse volume financeiro.
Ainda conforme a apuração, a organização criminosa era dividida em diferentes núcleos, responsáveis pelo contato com as vítimas, pela estrutura operacional do golpe e pela movimentação dos valores.
A investigação teve início após uma vítima de Goiás relatar prejuízo superior a R$ 640 mil em um falso investimento. Na primeira fase da operação, realizada no fim de 2025, foram cumpridos mandados de busca, efetuadas prisões temporárias e autorizadas quebras de sigilo bancário de pessoas e empresas ligadas ao esquema.
Nesta nova etapa, os policiais apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos que passarão por perícia para identificar outros envolvidos, novas vítimas e o papel desempenhado por cada investigado. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias, veículos, imóveis e o sequestro de bens relacionados ao prejuízo inicialmente identificado.
As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização e rastrear o destino dos recursos obtidos com as supostas fraudes.