Justiça do Rio bloqueia R$ 20,9 milhões de empresa ligada a aliado de Flávio Bolsonaro
RioPag intermediava pagamentos para a Loterj e recusou-se a devolver recursos custodiados do estado
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A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio judicial de R$ 20,9 milhões das contas da RioPag, empresa associada ao advogado Willer Tomaz, aliado do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A decisão acolheu o pedido do governo fluminense após a constatação de que a companhia retinha indevidamente verbas públicas arrecadadas em operações de apostas esportivas e loterias no estado.
A RioPag obteve, em 2023, o monopólio para a intermediação financeira das operadoras credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). O contrato previa a retenção de taxas significativamente acima do mercado, gerando faturamento milionário à intermediadora a partir da movimentação dos apostadores.
A crise teve início no começo de 2025, quando a Loterj orientou a suspensão dos repasses contratuais e solicitou que a RioPag mantivesse os valores sob custódia. Com a troca de gestão no Executivo estadual, o governo do Rio exigiu a restituição imediata do montante acumulado.
Diante das solicitações, a empresa alegou entraves operacionais para a devolução imediata e tentou propor o parcelamento do débito, alternativa rejeitada pelo estado.
Em meio ao impasse, Willer Tomaz afirmou publicamente que o montante estaria aplicado em um fundo do Banco Santander sujeito a carência de seis meses para resgate. A própria Loterj contestou a versão do advogado, informando ao processo que a suposta aplicação financeira nunca foi comprovada ou formalizada administrativamente.
Diante do risco aos cofres públicos, a juíza Cristiana Aparecida de Souza Bonato, da 14ª Vara da Fazenda Pública da Capital, decretou o bloqueio das quantias. A magistrada enfatizou que a verba possui natureza pública inequívoca e que a retenção praticada pela empresa carece de respaldo legal ou contratual.