TJ de Alagoas mantém prisão preventiva do influenciador PTK, investigado por organização criminosa
Desembargador nega liminar em habeas corpus e decide que não há, neste momento, ilegalidade evidente na prisão do influenciador e pré-candidato pelo MDB
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O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) negou o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa do influenciador digital Patrick de Almeida Silva, conhecido como PTK, e manteve a prisão preventiva do investigado. A decisão foi proferida pelo desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior, relator do processo, que entendeu não haver, neste momento, flagrante constrangimento ilegal que justificasse a revogação imediata da medida cautelar. O mérito do habeas corpus ainda será analisado pela Câmara Criminal.
Preso desde 3 de junho de 2026, PTK é investigado na Operação Morro do Alemão, deflagrada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL). A investigação apura a suposta prática dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de uma possível ligação do influenciador com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. As acusações são objeto de investigação e ainda não houve julgamento de mérito ou condenação.
Na decisão, o relator destacou que a concessão de liminar em habeas corpus é medida excepcional e depende da demonstração de ilegalidade manifesta. Em análise preliminar, o magistrado afirmou que a prisão preventiva está amparada por indícios suficientes de autoria e materialidade, conforme prevê o artigo 312 do Código de Processo Penal. Também ressaltou que a investigação é considerada de elevada complexidade e reúne um amplo conjunto de provas, não estando baseada apenas em um diálogo interceptado, como sustenta a defesa.
O desembargador ainda afastou, nesta fase processual, os argumentos da defesa sobre ausência de justa causa, supostas falhas na cadeia de custódia das provas digitais, inexistência de perícia de identificação vocal, excesso de prazo da investigação e possibilidade de substituição da prisão por medidas cautelares. Segundo a decisão, essas questões exigem uma análise aprofundada do conjunto probatório, o que será feito no julgamento do mérito do habeas corpus.
A decisão também determina que o Juízo da 17ª Vara Criminal da Capital preste informações no prazo de 72 horas e, posteriormente, os autos sejam encaminhados à Procuradoria de Justiça para emissão de parecer antes da apreciação definitiva pela Câmara Criminal.
Segundo as investigações conduzidas pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), PTK teria ligação com integrantes do Comando Vermelho e faria parte de um esquema voltado à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Durante a operação que resultou em sua prisão, policiais apreenderam R$ 20 mil em dinheiro, dois iPhones, dois anéis de ouro e um pendrive, materiais que passaram a integrar a investigação.
Natural da Vila Brejal, em Maceió, Patrick de Almeida Silva ganhou notoriedade nas redes sociais produzindo conteúdos sobre o cotidiano das comunidades. Filiado ao MDB de Alagoas, ele era apontado nos bastidores como pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026. A Polícia Civil afirma que ele teria sido escolhido por uma liderança do Comando Vermelho para disputar um cargo eletivo e ampliar a influência da facção no cenário político alagoano. A defesa nega as acusações e busca a revogação da prisão por meio do habeas corpus, cujo mérito ainda aguarda julgamento.