Gasolina terá 32% de etanol a partir de agosto; saiba o impacto no consumo e nos carros antigos
A medida temporária, com validade prevista de 180 dias, visa conter os reflexos da inflação e estabilizar os preços internos do combustível diante da alta do barril de petróleo no mercado internacional
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Os proprietários de veículos antigos, importados ou com motorização convencional precisam ficar atentos às mudanças no abastecimento a partir do próximo dia 1º de agosto. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que passará dos atuais 30% para 32%. A medida temporária, com validade prevista de 180 dias, visa conter os reflexos da inflação e estabilizar os preços internos do combustível diante da alta do barril de petróleo no mercado internacional, motivada pelo fechamento do estreito de Hormuz devido ao agravamento do conflito geopolítico entre Estados Unidos e Irã.
Para a frota de veículos flex produzidos a partir de 2003, a alteração na composição gera baixo impacto mecânico, uma vez que o gerenciamento eletrônico desses motores é projetado para identificar e queimar diferentes proporções de álcool e gasolina. O principal efeito sentido por todos os motoristas, incluindo os de modelos flex, será o aumento no consumo de combustível, dado que o etanol possui menor poder calorífico e exige maior volume injetado para percorrer a mesma quilometragem. Já para a população de baixa renda, a medida atua diretamente na contenção de custos das cadeias de transporte e logística de alimentos.
Em contrapartida, especialistas alertam para o risco de desgaste prematuro de autopeças em três grupos específicos de veículos que não possuem blindagem de fábrica contra o poder corrosivo e higroscópico do etanol — propriedade que faz o combustível absorver a umidade do ar e gerar oxidação. Os danos variam desde a ferrugem em tanques metálicos e ligas de carburadores em modelos fabricados até 1989, com custos de reparo estimados entre R$ 200 e R$ 500, até avarias severas em componentes de alto custo de modelos modernos com injeção direta, onde a substituição de uma bomba de alta pressão ou de bicos injetores pode variar de R$ 1.000 a R$ 4.000.
Confira o nível de impacto por categoria de veículo:
- Alto Impacto (Modelos carburados fabricados até meados dos anos 90): Carros equipados com tanques de metal e carburadores sofrem oxidação acelerada. Exemplos: Fusca, Brasília, Variant, Chevette, Opala, Corcel II, Del Rey, Passat antigo, Maverick, Gol carburado e Uno Mille carburado.
- Médio Impacto (Injeção eletrônica de primeira geração, movidos apenas a gasolina, de 1990 a 2003): O sistema calibrado para menor teor de álcool pode registrar anomalias, acender a luz da injeção eletrônica no painel e apresentar perda de potência. Exemplos: Vectra (anos 90), Santana, Golf monocombustível, Tempra, Marea, Escort, Focus (1ª geração), Corsa Wind, Palio, Siena e Kadett.
- Impacto Variável (Importados não flex de qualquer ano): Desenvolvidos para mercados internacionais onde a mistura de etanol varia entre 5% e 10%, demandam consulta ao manual do fabricante e, frequentemente, o uso de gasolina premium. Exemplos: BMW, Mercedes-Benz, Land Rover, Porsche, Ford Bronco Sport e Mustang.
- Baixo Impacto (Modelos Flex pós-2003): Gerenciamento eletrônico avançado adapta o funcionamento sem danos mecânicos, registrando apenas alteração na média de consumo. Exemplos: Palio Fire, Uno Fire, Gol G4, Fox, Polo, Onix, HB20, Corolla, Civic, Renegade, Nivus, Pulse e Fastback.