31 de julho de 2025
economia

Saiba por quê EUA usam o Pix como justificativa para impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Segundo documentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil prejudica empresas americanas do setor financeiro

Por Redação
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Pix é apenas um dos componentes que integram a lista de justificativas apresentada pelos EUA para o "tarifaço" - Foto: Agência Brasil

O Pix foi incluído pelo governo de Donald Trump como um dos argumentos oficiais para justificar a imposição de uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. O anúncio da barreira comercial foi feito na última quarta-feira (15). Segundo documentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil prejudica empresas americanas do setor financeiro ao criar o que a gestão Trump considera uma concorrência desigual.

Para o governo dos EUA, a crítica não está no uso da ferramenta pela população, mas no fato de o Pix ter sido desenvolvido e ser operado diretamente pelo Banco Central do Brasil. Washington alega que essa estrutura estatal garante vantagens competitivas que a iniciativa privada não possui. O relatório do USTR classifica a prática como "injustificável e discriminatória" e descreve o Pix (grafado nos documentos como "PICS") como um serviço estatal que recebe tratamento diferenciado por ser de propriedade do governo brasileiro. Em pronunciamento, representantes americanos afirmaram que a intenção não é extinguir a ferramenta, mas impedir que empresas dos EUA sejam limitadas por ela ou forçadas a adotá-la.

No Brasil, especialistas e representantes do setor de comércio contestam a tese de concorrência desleal. Economistas apontam que o Pix ganhou mercado exatamente por eliminar intermediários e reduzir custos, competindo diretamente com as tarifas cobradas por grandes operadoras de cartões de crédito americanas, como Visa e Mastercard. Além disso, analistas indicam que o avanço do "Pix Internacional" e a possibilidade de seu uso em transações transfronteiriças entre os países do Brics geram desconforto em Washington por representarem uma potencial ameaça à hegemonia global do dólar.

Embora o sistema de pagamentos tenha ganhado protagonismo no embate econômico, o Pix é apenas um dos componentes que integram a lista de justificativas apresentada pelos EUA para o "tarifaço". O relatório do USTR também fundamenta a sobretaxa em críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra plataformas digitais americanas, barreiras regulatórias para big techs, falta de proteção à propriedade intelectual, tarifas brasileiras sobre o etanol importado e questões ligadas ao desmatamento.

Impacto nos pequenos negócios


Enquanto o sistema opera no centro de uma disputa geopolítica internacional, o Pix consolidou-se como a principal ferramenta financeira para os micro e pequenos empreendedores no Brasil. Criado em novembro de 2020, o meio de pagamento movimentou R$ 35,4 bilhões em 2025, volume que equivale a quase três vezes o PIB do país, e conta com cerca de 170 milhões de usuários pessoas físicas e 24 milhões de empresas.

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com o Ipespe revela o impacto do Pix na economia local:

- 59% dos donos de pequenos negócios utilizam a ferramenta como o principal meio de recebimento de suas vendas;

- 53% usam o sistema para pagar fornecedores e parceiros comerciais;

Entre os Microempreendedores Individuais (MEIs), a adesão chega a 97%, sendo que para 28% deles o Pix responde por mais de 75% de todo o faturamento da empresa.