Fisioterapia fortalece desenvolvimento motor e amplia autonomia de crianças e adolescentes na Casa do Autista
Atendimento fisioterapêutico contribui para avanços na mobilidade, autonomia, comunicação e interação social de crianças e adolescentes com TEA
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A fisioterapia tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), contribuindo para ganhos que vão muito além da mobilidade. Na Casa do Autista de Maceió, o atendimento integra um plano terapêutico multiprofissional para estimular o desenvolvimento motor, fortalecer a autonomia e favorecer avanços na comunicação, na atenção e na interação social dos pacientes.
Antes mesmo do início do acompanhamento, todos os usuários passam por uma avaliação fisioterapêutica para identificar possíveis alterações motoras e definir as necessidades de cada caso. De acordo com a fisioterapeuta Rita de Cássia, embora nem todas as crianças e adolescentes precisem de acompanhamento contínuo, a avaliação é indispensável.
"Nem todas as crianças e adolescentes precisam de acompanhamento com fisioterapeuta, mas é imprescindível que todos passem pelo menos por uma avaliação. Os casos mais comuns são a marcha equina, quando a criança anda na ponta dos pés, alterações na postura, fraqueza muscular e alterações psicomotoras", explica.
O trabalho começa com uma avaliação detalhada junto à família, permitindo que a equipe conheça aspectos do desenvolvimento gestacional e motor do paciente. Em seguida, são aplicados testes validados para identificar as áreas com maiores déficits e, a partir desses resultados, é elaborado um plano terapêutico individualizado.
"O fisioterapeuta realiza anamnese com a família para entender os aspectos do desenvolvimento gestacional e motor da criança. Conforme as demandas apresentadas e observadas em ambiente clínico, são aplicados testes validados para verificar em quais áreas a criança ou adolescente apresenta maiores déficits. A partir disso, é montado o planejamento terapêutico, com objetivos definidos para curto, médio e longo prazo e as atividades que serão utilizadas em cada etapa", detalha Rita de Cássia.
A frequência dos atendimentos varia conforme as necessidades de cada paciente. Na Casa do Autista, o acompanhamento pode acontecer uma ou duas vezes por semana, sempre de forma integrada com outras especialidades. "Podem ser realizadas uma ou duas sessões semanais, ressaltando a importância do alinhamento terapêutico e do trabalho em conjunto com a Educação Física e a Terapia Ocupacional", acrescenta.
Entre os usuários atendidos está Guilherme, que apresenta escoliose, alteração caracterizada pela curvatura da coluna vertebral. No caso dele, a equipe utiliza exercícios de Pilates solo e com bola, focados no ganho de mobilidade, flexibilidade e fortalecimento muscular, promovendo a melhora da postura e da funcionalidade.
"A fisioterapia motora visa o ganho de mobilidade, flexibilidade, consciência corporal e fortalecimento muscular global, aspectos que, na maioria das vezes, apresentam déficits no TEA. Os ganhos na área motora refletem diretamente na melhora da linguagem, da atenção, da comunicação e da interação social, tendo em vista que ela é a base para o desenvolvimento", complementa.
Para a diretora-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, o atendimento especializado demonstra que cada evolução é resultado de um trabalho construído de forma conjunta entre profissionais, pacientes e famílias.
"Na Casa do Autista, entendemos que cada criança e adolescente possui necessidades, potencialidades e um ritmo próprio de desenvolvimento. Por isso, investimos em um cuidado individualizado, baseado na atuação integrada da equipe multiprofissional e na participação ativa das famílias. Cada conquista representa mais autonomia, inclusão e qualidade de vida", disse a psicóloga.
A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde. A instituição atua com foco em boas práticas de governança, inovação e qualidade da assistência, contribuindo para o fortalecimento da rede pública de saúde da capital alagoana.
A diretora-presidente do Maceió Saúde, Camila Porciúncula, ressalta que o fortalecimento da assistência especializada é resultado de uma gestão comprometida com a excelência no cuidado e com a ampliação do acesso aos serviços públicos de saúde.
"A Casa do Autista representa um modelo de assistência que reúne acolhimento, qualificação técnica e atendimento humanizado. Nosso compromisso é oferecer uma estrutura capaz de atender às necessidades das crianças, adolescentes e suas famílias, garantindo um cuidado integrado e baseado nas melhores práticas para promover desenvolvimento, inclusão e dignidade", pontua.
Como ter acesso
Com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos, a Casa do Autista amplia continuamente o olhar sobre o cuidado, entendendo que acolher as famílias também é uma forma de promover saúde, inclusão e qualidade de vida para crianças e adolescentes com TEA.
Para ter acesso aos serviços da Casa do Autista, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, nº 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência, encaminhamento médico da criança ou adolescente e os documentos do responsável legal.
Após a abertura do processo, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos, priorizando pacientes que ainda não estão inseridos na rede pública de reabilitação e que aguardam atendimento na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. A partir desta avaliação, os usuários são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a Casa do Autista. Quando a demanda supera a capacidade de atendimento, os pacientes permanecem em fila de espera, respeitando critérios técnicos e de prioridade.