Senado aprova redução de quase 40% da Floresta Nacional do Jamanxim e amplia área com regras mais flexíveis no Pará
Projeto aprovado pelos senadores transforma 486 mil hectares de floresta em Área de Proteção Ambiental, categoria com menor restrição de uso, permitindo regularização fundiária e atividades econômicas como agropecuária e mineração
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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) a mudança nos limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, reduzindo em 37,39% a área protegida e criando uma Área de Proteção Ambiental (APA) no território retirado da unidade de conservação. A proposta segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e altera o nível de proteção ambiental de uma das áreas mais pressionadas pelo avanço do desmatamento na Amazônia.
Localizada no município de Novo Progresso (PA), a Flona do Jamanxim tinha aproximadamente 1,3 milhão de hectares sob regras mais rígidas de preservação. Com a aprovação do projeto, a unidade passa a ter cerca de 814,6 mil hectares, enquanto outros 486,4 mil hectares serão incorporados à nova APA do Jamanxim.
A mudança de categoria altera o regime de proteção da área. Diferentemente de uma Floresta Nacional, a APA permite maior flexibilidade para ocupações humanas e atividades econômicas, desde que sejam obedecidas regras previstas em plano de manejo e na legislação ambiental.
Mudança abre debate sobre proteção da Amazônia
A aprovação da proposta provocou críticas de setores ligados à defesa ambiental, que apontam risco de enfraquecimento da fiscalização e possibilidade de estímulo à ocupação irregular da floresta.
Para parlamentares contrários ao texto, a transformação de parte da Flona em APA pode facilitar a regularização de áreas ocupadas ilegalmente, além de aumentar a pressão sobre a floresta com atividades como pecuária, exploração mineral e avanço do desmatamento.
Defensores do projeto, por outro lado, argumentam que a mudança busca organizar a ocupação da região, solucionar conflitos fundiários e permitir o desenvolvimento de atividades econômicas consideradas sustentáveis.
O que muda com a nova regra
A proposta aprovada altera o decreto que criou a Floresta Nacional do Jamanxim, em 2006, redefinindo seus limites e criando uma nova categoria de proteção ambiental.
Entre os principais pontos estão:
- Redução da área protegida: a Flona do Jamanxim passa de cerca de 1,3 milhão para aproximadamente 814,6 mil hectares.
- Criação de uma APA: a área retirada da floresta nacional será transformada em uma Área de Proteção Ambiental com cerca de 486,4 mil hectares.
- Regularização fundiária: ocupações anteriores à criação da Flona, em 2006, poderão ser regularizadas caso sejam consideradas legítimas e estejam dentro dos critérios estabelecidos.
- Uso agropecuário: a nova APA permitirá atividades agrícolas e pecuárias, com limite de conversão da floresta de até 20% da área da posse ou propriedade.
- Atividades minerárias: o texto prevê a possibilidade de exploração mineral na Flona e na APA, desde que haja previsão nos planos de manejo.
- Regularização ambiental: proprietários e ocupantes terão que cumprir exigências relacionadas a passivos ambientais.
- Reassentamento de ocupantes: pessoas que permanecerem em áreas da Flona remanescente poderão ser destinadas a terras da União ou áreas administradas pelo Incra.
- Continuidade temporária das atividades econômicas: enquanto o reassentamento não for concluído, ocupantes poderão manter atividades produtivas.
- Combate ao desmatamento ilegal: a proposta prevê cancelamento de títulos de domínio em casos de desmatamento irregular.
Área é considerada estratégica na Amazônia
Criada em 2006, a Floresta Nacional do Jamanxim integra uma região marcada por conflitos envolvendo conservação ambiental, ocupação territorial e exploração econômica.
O território está inserido em uma das áreas da Amazônia Legal com histórico de pressão por abertura de áreas para pecuária, extração ilegal de madeira e ocupações sem regularização fundiária.
Com a aprovação no Senado, a decisão final sobre a alteração dos limites da unidade de conservação ficará nas mãos do presidente Lula, que poderá sancionar integralmente, vetar trechos ou rejeitar a proposta.