Justiça determina penhora de R$ 227 mil de ex-esposa de Bolsonaro por calote eleitoral
Ana Cristina Valle teve contas rejeitadas após sumir com comprovação de quase metade dos gastos de sua campanha a deputada distrital em 2022
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O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) determinou o bloqueio de R$ 227 mil nas contas bancárias de Ana Cristina Valle, segunda ex-esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A punição, que já inclui correção monetária, foi aplicada após a ex-candidata falhar gravemente na prestação de contas de sua campanha para deputada distrital nas eleições de 2022.
Concorrendo pelo Progressistas (PP), Ana Cristina obteve uma votação expressiva de apenas 1.485 votos e não conseguiu se eleger. Apesar do desempenho pífio nas urnas, a estrutura financeira movimentada por ela chamou a atenção da Justiça: dos mais de R$ 303 mil declarados em despesas, sumiram as comprovações de R$ 134,4 mil (em valores da época). Isso significa que quase metade de tudo o que ela gastou operou em total escuridão.
O tribunal encontrou uma série de irregularidades no uso do Fundo Eleitoral, o dinheiro público que financia as campanhas. Entre os desvios apontados, destacam-se:
- Militância fantasma: Pagamento de R$ 35.150 para cabos eleitorais sem qualquer contrato ou recibo que prove que o serviço foi de fato prestado;
- Combustível suspeito: Gasto de R$ 3 mil em postos de gasolina sem identificação de quais carros da campanha foram abastecidos;
- Aluguel estendido: Pagamento de locação de imóvel com dinheiro público por um período posterior ao fim das eleições.
Silêncio diante do Tribunal pode custar bens
De acordo com o relator do processo, a ex-esposa de Bolsonaro ignorou a Justiça Eleitoral. Ela foi intimada formalmente em duas ocasiões diferentes para enviar os documentos complementares e explicar os gastos, mas preferiu o silêncio. Para o TRE-DF, a falta de respostas confirmou a gravidade e a má-fé nas inconsistências apresentadas, que também foram entregues fora do prazo legal.
A ordem de bloqueio judicial mira primeiramente o dinheiro depositado nas contas da investigada. Caso as autoridades não encontrem saldo suficiente nos bancos para cobrir o rombo dos R$ 227 mil, a canetada da Justiça Eleitoral autoriza a penhora imediata de carros e imóveis registrados no nome de Ana Cristina Valle.