31 de julho de 2025
Tensão diplomática

Câmara aprova convocação obrigatória de Mauro Vieira sobre risco de ação militar dos EUA no Brasil

Deputados exigem explicações do chanceler após ofício do Itamaraty relacionar o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como terroristas à ameaça de intervenção americana

Por Redação
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Comissão aprova convocar Vieira para falar sobre risco de ação dos EUA - Foto: Reprodução

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Com a decisão, a presença do chanceler torna-se obrigatória para prestar esclarecimentos sobre um documento assinado por ele no qual alerta para a possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro.

A polêmica teve início após o Ministério das Relações Exteriores responder a uma interpelação do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) a respeito da decisão de Washington de enquadrar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na categoria de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). No ofício, Vieira argumentou que o ato unilateral americano traz riscos diretos a cidadãos brasileiros nos âmbitos penal, financeiro e migratório, além de levantar a hipótese do uso de força armada na América do Sul sob o pretexto de combater o narcoterrorismo.

Durante a sessão da comissão, a bancada governista tentou converter a convocação em convite — modalidade aprovada no dia anterior pela Comissão de Relações Exteriores do Senado —, mas a oposição rejeitou o acordo. Parlamentares criticaram duramente o parecer do Itamaraty, classificando o documento como "frágil" e acusando o Palácio do Planalto de usar alarde ideológico, dado que a Casa Branca desmentiu publicamente o governo brasileiro ao classificar a tese de invasão militar como "absurda".

Por outro lado, o Departamento de Estado norte-americano reforçou que a designação do PCC e do CV visa proteger o território dos EUA, sustentando que ambos os grupos operam atualmente em solo americano. O chanceler brasileiro agora terá de acertar a data do depoimento na Câmara, onde precisará detalhar aos parlamentares as fundamentações diplomáticas que levaram o país a projetar um cenário de conflito com as forças americanas.