Câmara aprova convocação obrigatória de Mauro Vieira sobre risco de ação militar dos EUA no Brasil
Deputados exigem explicações do chanceler após ofício do Itamaraty relacionar o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como terroristas à ameaça de intervenção americana
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A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Com a decisão, a presença do chanceler torna-se obrigatória para prestar esclarecimentos sobre um documento assinado por ele no qual alerta para a possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
A polêmica teve início após o Ministério das Relações Exteriores responder a uma interpelação do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) a respeito da decisão de Washington de enquadrar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na categoria de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). No ofício, Vieira argumentou que o ato unilateral americano traz riscos diretos a cidadãos brasileiros nos âmbitos penal, financeiro e migratório, além de levantar a hipótese do uso de força armada na América do Sul sob o pretexto de combater o narcoterrorismo.
Durante a sessão da comissão, a bancada governista tentou converter a convocação em convite — modalidade aprovada no dia anterior pela Comissão de Relações Exteriores do Senado —, mas a oposição rejeitou o acordo. Parlamentares criticaram duramente o parecer do Itamaraty, classificando o documento como "frágil" e acusando o Palácio do Planalto de usar alarde ideológico, dado que a Casa Branca desmentiu publicamente o governo brasileiro ao classificar a tese de invasão militar como "absurda".
Por outro lado, o Departamento de Estado norte-americano reforçou que a designação do PCC e do CV visa proteger o território dos EUA, sustentando que ambos os grupos operam atualmente em solo americano. O chanceler brasileiro agora terá de acertar a data do depoimento na Câmara, onde precisará detalhar aos parlamentares as fundamentações diplomáticas que levaram o país a projetar um cenário de conflito com as forças americanas.