31 de julho de 2025
MEIO AMBIENTE

Poluição leva surfistas de Pernambuco a mudar hábitos para proteger o oceano, aponta pesquisa

Levantamento do Instituto Ecosurf mostra alto nível de conscientização ambiental entre praticantes do estado, que também lidera o país em conhecimento sobre leis contra a poluição plástica

Por Redação
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Poluição leva surfistas de Pernambuco a mudar hábitos para proteger o oceano, aponta pesquisa - Foto: Diário de Pernambuco

A poluição do litoral tem provocado mudanças no comportamento dos surfistas pernambucanos. Pesquisa divulgada pelo Instituto Ecosurf mostra que todos os participantes ouvidos no estado afirmaram ter adotado hábitos para reduzir os impactos ambientais, enquanto 72,7% disseram estar extremamente preocupados com a poluição causada por plásticos no oceano.

O levantamento faz parte do estudo Raio-X Ecosurf, que entrevistou 539 surfistas em todo o Brasil para avaliar a percepção da comunidade sobre conservação marinha, mudanças climáticas e poluição plástica. Em Pernambuco, foram ouvidos 11 praticantes.

Além da preocupação ambiental, o estado liderou o ranking nacional de conhecimento sobre leis e políticas públicas voltadas ao combate da poluição plástica. Segundo a pesquisa, 72,7% dos surfistas pernambucanos afirmaram conhecer alguma legislação relacionada ao tema, percentual superior ao registrado em estados como Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

O estudo também aponta que 90,9% dos entrevistados em Pernambuco acreditam que as mudanças climáticas já afetam significativamente o oceano e as condições para a prática do surfe.

Surfista há décadas, Jerônimo Pereira da Paz afirma que a presença de resíduos é perceptível em praias como Itapuama e Maracaípe. Segundo ele, o problema já afastou praticantes de alguns pontos do litoral e também representa prejuízos para o turismo.

Apesar do elevado nível de conscientização, a pesquisa mostra que 54,5% dos surfistas pernambucanos consideram insuficiente o engajamento da própria comunidade na defesa do meio ambiente.

Cabo concentra praticantes

O Cabo de Santo Agostinho foi o município mais citado pelos entrevistados como destino para a prática do surfe. Entre as praias mais frequentadas aparecem Itapuama e Porto de Galinhas, seguidas por Maracaípe. Também foram mencionadas Cacimba do Padre, Conceição, Paiva, Pau Amarelo e Praia do Cupe.

Cenário nacional

Em todo o Brasil, 93,9% dos surfistas afirmaram encontrar lixo plástico com frequência nas praias onde praticam o esporte. Outros 43,2% disseram observar animais marinhos mortos de forma recorrente, percepção que, segundo o Instituto Ecosurf, evidencia a degradação ambiental nas áreas costeiras, embora não estabeleça relação direta entre os casos e a poluição por plásticos.

O levantamento mostra ainda que 97,2% dos participantes já mudaram hábitos para reduzir impactos ambientais e 76,3% afirmaram estar dispostos a participar de ações de proteção dos oceanos.

Quase a totalidade dos entrevistados também defendeu maior investimento do poder público no combate à poluição e mais responsabilidade das empresas pela geração de resíduos plásticos.

Em nota, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho informou que mantém serviços permanentes de limpeza da orla e campanhas de conscientização sobre o descarte correto de resíduos, destacando que a preservação das praias depende da colaboração da população, comerciantes e visitantes.