Linha Sul do Metrô do Recife volta a operar após sete horas de paralisação
Linha Sul ficou sem operar por falta de trens disponíveis; CBTU alerta que sistema pode entrar em colapso até 2027
Publicado em
A Linha Sul do Metrô do Recife retomou a operação no início da tarde desta segunda-feira (29), após permanecer cerca de sete horas paralisada por falta de trens disponíveis. Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o serviço foi restabelecido às 12h, depois que algumas composições passaram por manutenção e foram liberadas para circulação.
De acordo com a CBTU, a paralisação ocorreu porque não havia quantidade mínima de trens para garantir a operação com segurança e intervalos compatíveis com a demanda de passageiros.
A suspensão afetou milhares de usuários ao longo da manhã, levando o Grande Recife Consórcio de Transporte a adotar um esquema especial de ônibus para minimizar os impactos no deslocamento da população.
A interrupção do serviço ocorre em meio ao envelhecimento da frota do metrô recifense. A CBTU alerta que, sem a reposição das composições, o sistema poderá entrar em colapso até 2027, já que os trens mais antigos estão chegando ao fim da vida útil e apresentam falhas com maior frequência.
O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) atribuiu a situação ao que classificou como descaso dos governos federal e estadual com o sistema metroviário da capital.
Como medida emergencial para reforçar a frota, a CBTU adquiriu seis trens seminovos do Metrô BH. No entanto, o cronograma está atrasado.
A primeira composição, entregue em maio, ainda não começou a operar por questões relacionadas à documentação e à necessidade de montagem e testes. O trem tem 24 anos de uso, não possui ar-condicionado e custou R$ 10 milhões.
O segundo veículo chegou ao Recife na última sexta-feira (26), enquanto os demais devem ser entregues nos próximos meses. A companhia também negocia a transferência de mais cinco composições, totalizando 11 trens.
A aquisição dos seis trens usados, no valor de R$ 60 milhões, está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura possíveis irregularidades na negociação.
A denúncia questiona o valor pago pelas composições e aponta que os veículos, com cerca de 40 anos de uso, já haviam sido retirados de circulação em Belo Horizonte.
Apesar da investigação, o ministro Jorge Oliveira negou o pedido para suspender a compra, argumentando que a medida poderia comprometer ainda mais o funcionamento do metrô do Recife, cuja frota atual deve atingir o fim da vida útil até abril de 2027.