EUA tentam impedir leilão de mais de 100 artefatos recuperados do Titanic
Governo norte-americano alega que venda de objetos retirados dos destroços viola acordos firmados para preservação do local do naufrágio
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O governo dos Estados Unidos trava uma disputa judicial para impedir o leilão de mais de 100 artefatos recuperados dos destroços do transatlântico RMS Titanic. Os itens pertencem à empresa RMS Titanic Inc., responsável pelos direitos de exploração do local onde o navio afundou.
Entre os objetos que podem ser colocados à venda estão pertences pessoais de passageiros, moedas, utensílios de cozinha e peças de decoração resgatadas durante expedições aos destroços.
A contestação foi apresentada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que argumenta que a comercialização dos itens descumpre acordos e determinações judiciais firmados anteriormente. Segundo o órgão, os artefatos recuperados deveriam ser preservados e exibidos exclusivamente em museus e exposições públicas.
Já os advogados da empresa afirmam que a proposta de leilão não infringe as regras existentes e defendem o direito de comercialização do acervo.
Desde 1987, operações de exploração realizadas pela empresa recuperaram milhares de objetos e partes da estrutura do navio. Os artefatos vêm sendo utilizados em exposições ao redor do mundo, que ajudam a financiar novas pesquisas e expedições.
Tentativas anteriores de venda desses itens também enfrentaram resistência de autoridades, grupos de preservação histórica e familiares das vítimas do naufrágio, ocorrido em abril de 1912 após a embarcação colidir com um iceberg durante sua viagem inaugural entre a Europa e Nova York. Mais de 1.500 pessoas morreram na tragédia.
Embora os artefatos retirados diretamente dos destroços enfrentem restrições, objetos recuperados por sobreviventes ou por equipes de resgate logo após o acidente podem ser vendidos legalmente. Nos últimos anos, itens ligados ao Titanic alcançaram valores milionários em leilões internacionais.
Em abril deste ano, um colete salva-vidas utilizado por um passageiro foi arrematado por mais de US$ 900 mil. Já um relógio de bolso de ouro entregue ao capitão do navio responsável pelo resgate dos sobreviventes foi vendido por quase US$ 2 milhões em 2024.
Especialistas apontam que o interesse contínuo pela história do Titanic e a raridade dos objetos ajudam a impulsionar os altos valores alcançados pelo acervo em leilões ao redor do mundo.