Polícia apreende mais de 70 câmeras usadas por facções para monitorar cidades da Grande João Pessoa
Operação reuniu cerca de 150 agentes, resultou na prisão de um suspeito e apreendeu mais de 1,5 mil imagens utilizadas por criminosos
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Mais de 70 câmeras de monitoramento instaladas por facções criminosas foram apreendidas nesta quinta-feira (18) durante uma operação da Polícia Civil da Paraíba realizada em municípios da Região Metropolitana de João Pessoa.
A ação ocorreu em João Pessoa, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Bayeux, Pedras de Fogo, Pitimbu, Alhandra e Caaporã. Cerca de 150 agentes participaram da operação, que contou com apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Segundo as investigações, os equipamentos eram utilizados para monitorar a movimentação de moradores, veículos e forças de segurança, permitindo que integrantes das organizações criminosas acompanhassem em tempo real a rotina das comunidades.
Durante a operação, os policiais apreenderam mais de 1,5 mil imagens e prenderam em flagrante um homem apontado como operador do sistema de monitoramento clandestino, no município de Cabedelo.
De acordo com o delegado Carlos Othon, a retirada dos equipamentos representa apenas uma etapa do trabalho investigativo. O material recolhido será analisado e servirá como prova para a abertura de novos inquéritos.
“Não se trata de um trabalho que se encerra com a retirada das câmeras. O próximo passo é identificar os responsáveis pela instalação dos equipamentos e responsabilizá-los criminalmente”, afirmou.
As investigações apontam que parte das câmeras funcionava por meio de conexão Wi-Fi, permitindo o acompanhamento remoto das imagens. A polícia ainda apura há quanto tempo o sistema operava e se o monitoramento era realizado por criminosos localizados em outros estados.
Em Cabedelo, as apurações da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba indicam que integrantes do Comando Vermelho, instalados no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, tinham acesso em tempo real às imagens captadas por câmeras clandestinas espalhadas pelo município.
Segundo os investigadores, o esquema seria coordenado por Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, apontado como uma das lideranças da facção na região. Mesmo foragido no Rio de Janeiro, ele continuaria acompanhando a movimentação da cidade e repassando ordens aos integrantes do grupo.
A Polícia Militar informou que manterá reforço no policiamento das áreas onde os equipamentos foram retirados para impedir a reinstalação do sistema clandestino. As ações de combate ao monitoramento ilegal devem continuar em outras regiões da Paraíba nos próximos meses.