Idosa é resgatada após quase 50 anos em condição análoga à escravidão no interior de São Paulo
Operação foi realizada na última quarta-feira (10) por equipes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
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Uma mulher de 62 anos foi resgatada por autoridades trabalhistas após viver durante 49 anos em situação análoga à escravidão em uma residência no centro de Bragança Paulista, interior de São Paulo. A operação foi realizada na última quarta-feira (10) por equipes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Segundo a investigação, a vítima começou a viver com a família empregadora em 1977, quando tinha apenas 12 anos. A promessa era de que receberia educação e melhores condições de vida, mas ela acabou sendo afastada dos estudos e passou a desempenhar atividades domésticas de forma contínua durante décadas.
As apurações apontam que a trabalhadora nunca teve direito a férias ou descanso semanal e realizava suas funções inclusive em domingos e feriados. Nos últimos meses, ela era a principal responsável pelos cuidados de uma idosa acamada, permanecendo praticamente em dedicação integral.
Durante a fiscalização, a mulher relatou que estava há cerca de quatro meses sem sair do apartamento onde vivia. Ela também afirmou que enfrentava dificuldades para cuidar da própria saúde e higiene devido à rotina intensa de trabalho.
Após o resgate, a vítima foi acolhida por familiares. As investigações revelaram ainda que, embora tenha conseguido se aposentar em 2015, os recursos do benefício previdenciário eram utilizados para custear despesas da residência onde trabalhava. Segundo os órgãos responsáveis, ela deixou de receber remuneração pelos serviços há mais de dez anos.
O MPT calcula que a indenização e os direitos trabalhistas devidos à vítima somem aproximadamente R$ 1,6 milhão. O valor inclui verbas rescisórias, indenizações por danos morais individuais e coletivos.
A família investigada foi notificada e terá prazo para apresentar defesa. O caso segue sob apuração das autoridades trabalhistas.