31 de julho de 2025
PESQUISA

Endividamento segue elevado e inadimplência avança mesmo com o reforço na renda das famílias

A pesquisa também aponta que o endividamento deixou de ser uma característica predominante das famílias de menor renda e já alcança 76,8% entre as de maior renda

Por Fercomércio Alagoas
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O cartão de crédito segue como o principal responsável pelo endividamento das famílias - Foto:

Endividamento segue elevado e inadimplência avança mesmo com o reforço na renda das famílias
A pesquisa também aponta que o endividamento deixou de ser uma característica predominante das famílias de menor renda e já alcança 76,8% entre as de maior renda
Os consumidores de Maceió chegaram ao mês de maio diante de um cenário contraditório. Ao mesmo tempo em que a economia recebeu estímulos importantes ao consumo, como as vendas do Dia das Mães e a antecipação de parte do décimo terceiro salário dos aposentados e pensionistas do INSS, cresceu o número de famílias com dificuldades para honrar seus compromissos financeiros. É o que demonstra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pelo Instituto Fecomércio em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com o levantamento, 83,2% das famílias da capital possuíam algum tipo de dívida, em maio. Embora o indicador tenha apresentado um leve recuo em relação a abril (83,5%), permanece em nível elevado e supera em 3,6 pontos percentuais (p.p.) registrados no mesmo período do ano passado. Entretanto, o que chamou mais atenção foi a evolução da inadimplência, tendo o percentual de famílias com contas em atraso saltado de 32,8% para 36% em apenas um mês, demonstrando que parte dos consumidores enfrenta dificuldades crescentes para administrar o orçamento. Também aumentou o grupo que afirma não ter condições de quitar suas dívidas, passando de 9% para 9,6%. O percentual de famílias com contas em atraso avançou de 32,77% para 36%, representando uma alta de 3,23 p.p.  em apenas um mês.

O comportamento dos indicadores sugere que a renda extra do mês ajudou algumas famílias a reorganizarem parcialmente suas finanças, mas não foi suficiente para reverter as pressões acumuladas ao longo dos últimos meses, conforme observa o assessor econômico do Instituto Fecomércio AL, Lucas Sorgato. Ele explica que, do ponto de vista macroeconômico, maio foi marcado pela continuidade de um cenário de juros elevados, ainda que com expectativas de estabilização da política monetária ao longo do segundo semestre e, embora a inflação tenha apresentado comportamento mais moderado em alguns segmentos, os custos de serviços e itens essenciais continuaram pressionando o orçamento das famílias.

“Paralelamente, a antecipação do décimo terceiro salário para aposentados e pensionistas do INSS injetou dezenas de bilhões de reais na economia nacional, ampliando temporariamente a liquidez das famílias e favorecendo o consumo. Em Maceió, esse recurso adicional possui impacto ainda mais relevante, considerando a elevada participação da renda previdenciária na composição econômica de diversos domicílios”, avalia.

O endividamento começa a afetar as famílias de maior renda

Os dados do Instituto Fecomércio apontam mudança no perfil do endividamento, pois houve redução de 16,7% (abril) para 15,2% na parcela de famílias classificadas como muito endividadas, enquanto cresceu o grupo considerado mais ou menos endividado, representando 43,8% dos lares. Esse cenário indica que parte dos consumidores conseguiu aliviar o nível de comprometimento financeiro, ainda que permaneça nessa condição. “Embora essa mudança possa parecer positiva à primeira vista, ela revela que o endividamento continua amplamente disseminado na economia local e que uma parcela relevante da população permanece suscetível a choques de renda, inflação ou aumento de despesas inesperadas”, ressalta o economista.

A pesquisa também mostra que o endividamento deixou de ser uma característica predominante das famílias de menor renda. Entre os domicílios com rendimento superior a 10 salários mínimos, o percentual de endividados alcançou 76,8%, o maior patamar observado no período analisado. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o índice chegou a 83,6%. “Essa elevação do endividamento entre os consumidores de maior renda é um dos aspectos mais relevantes da pesquisa, pois mostra que as pressões econômicas atuais ultrapassam o consumo popular e começam a atingir camadas tradicionalmente mais protegidas das oscilações econômicas”, reforça.

Apesar do avanço em todas as faixas de renda, a inadimplência continua concentrada entre os consumidores de menor poder aquisitivo. Nesse grupo, 37,7% possuem contas em atraso e 10,7% afirmam não ter condições de pagar suas dívidas, evidenciando maior vulnerabilidade diante do custo de vida elevado e do crédito mais caro.

O cartão de crédito segue como o principal responsável pelo endividamento das famílias maceioenses, presente em aproximadamente 97,5% dos lares endividados. Em seguida aparecem os carnês de lojas (22,3%) e o crédito pessoal (18,8%), modalidade que avançou no período e pode indicar o uso de empréstimos para complementar renda ou renegociar débitos anteriores.