Investigador preso por esquema de tráfico recebeu mais de R$ 4 milhões e dizia que salário da polícia era “merreca”
Operação na Paraíba aponta envolvimento de policiais civis com facções criminosas, revenda de drogas apreendidas e proteção a foragidos
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Uma investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil da Paraíba revelou um suposto esquema criminoso envolvendo agentes responsáveis pelo combate ao tráfico de drogas. Entre os presos está o investigador Everton Aires, conhecido como "Bomba", apontado como líder de uma organização que, segundo as autoridades, revendia entorpecentes apreendidos em operações policiais e mantinha relações com facções criminosas.
De acordo com as investigações, o policial teria movimentado mais de R$ 4 milhões nos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com seu salário mensal de aproximadamente R$ 8,5 mil.
As informações vieram à tona após a divulgação de áudios e vídeos obtidos durante a apuração, nos quais os suspeitos tratam o tráfico de drogas como uma atividade comercial.
Em uma das gravações, Everton Aires afirma que o comércio ilegal funcionava como qualquer outro empreendimento.
“É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio”, diz o policial em um dos áudios.
Em outro trecho, ele compara a venda de drogas ao comércio de produtos comuns.
“É o mesmo que você estar vendendo qualquer outra coisa. Só que, em vez de você estar vendendo relógio, você está vendendo droga”, afirma.
Segundo a investigação, o grupo desviava parte dos entorpecentes apreendidos em operações e revendia cocaína, crack e skunk para traficantes.
Além de Everton Aires, também foram presos o investigador Eduardo Jorge, conhecido como "Mão Branca", e o delegado Braz Morroni.
A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em conjunto com a Polícia Civil e resultou na prisão de nove pessoas.
As investigações começaram em 2025 após denúncias de traficantes que acusaram policiais de se apropriar de cargas de drogas durante ações policiais.
Segundo o Ministério Público, os policiais negociavam com criminosos e repassavam informações sigilosas sobre operações, permitindo que investigados escapassem de prisões.
Entre os beneficiados estaria José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira, investigado por participação em ações do chamado Novo Cangaço contra bancos e carros-fortes no Nordeste.
As autoridades apontam ainda que integrantes da organização mantinham contato com membros de facções criminosas para negociar a distribuição dos entorpecentes.
Os advogados dos investigados contestam as acusações e afirmam que os fatos ainda serão analisados pela Justiça.
A defesa de Everton Aires declarou que o policial não reconhece as acusações e que exercerá seu direito de defesa durante o processo.
Já os representantes de Eduardo Jorge e do delegado Braz Morroni sustentam que não existem provas capazes de comprovar participação consciente dos policiais nas irregularidades investigadas.