Morre Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’, aos 56 anos; artista marcou gerações com obra sobre o Irã
Escritora, quadrinista e cineasta franco-iraniana ficou mundialmente conhecida por transformar sua história de vida em uma das graphic novels mais influentes do século XXI
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O mundo da literatura, dos quadrinhos e do cinema amanheceu de luto nesta quinta-feira (5) com a notícia da morte da escritora, quadrinista e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, autora da aclamada obra “Persépolis”. Ela tinha 56 anos.
A informação foi confirmada por familiares à agência AFP. Em comunicado, parentes afirmaram que a artista morreu “de tristeza”, pouco mais de um ano após a morte de seu marido, o produtor e ator Mattias Ripa, falecido em abril de 2025.
Reconhecida internacionalmente por transformar sua trajetória pessoal em uma narrativa universal sobre liberdade, identidade e resistência, Satrapi se tornou uma das vozes mais influentes da cultura contemporânea ao retratar a vida sob o regime iraniano e os desafios do exílio.
De Teerã para o mundo
Nascida em 22 de novembro de 1969, na cidade de Rasht, no Irã, Marjane Satrapi cresceu durante um dos períodos mais turbulentos da história do país, marcado pela Revolução Islâmica de 1979 e pela consolidação do regime teocrático.
Em 1994, mudou-se para a França, onde construiu sua carreira artística e se naturalizou francesa em 2006.
Foi justamente a partir de suas experiências pessoais que surgiu “Persépolis”, graphic novel autobiográfica lançada no início dos anos 2000 e considerada uma das obras mais importantes da literatura gráfica mundial.
O livro narra sua infância e adolescência no Irã, abordando temas como repressão política, liberdade individual, direitos das mulheres e imigração.
Sucesso no cinema e reconhecimento internacional
O sucesso da obra ultrapassou as páginas dos quadrinhos e chegou às telas de cinema em 2007, quando Satrapi codirigiu a adaptação animada de “Persépolis” ao lado de Vincent Paronnaud.
O longa conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2008, consolidando ainda mais o reconhecimento internacional da autora.
Na época, ao receber uma das premiações pelo filme, Satrapi destacou o significado da obra para seu povo.
“Mesmo que este seja um filme universal, quero dedicar este prêmio a todos os iranianos”, declarou.
Legado artístico e político
Ao longo de sua trajetória, Marjane Satrapi tornou-se uma das principais críticas do regime iraniano e uma defensora da liberdade de expressão e dos direitos humanos.
Sua obra foi traduzida para dezenas de idiomas e adotada em escolas e universidades ao redor do mundo, tornando-se referência para debates sobre democracia, opressão política e igualdade de gênero.
Em nota oficial, o presidente da França, Emmanuel Macron, homenageou a artista.
“Uma grande artista que transformou uma infância iraniana em uma fábula universal. Seu trabalho carregava uma mensagem universal e lhe rendeu imensa notoriedade internacional”, afirmou.
Já Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, destacou a força criativa da autora.
“Marjane era uma artista extraordinária e uma mulher cativante que personificava a alegria da criação e a tristeza do exílio e das memórias dolorosas.”
Com sua morte, o mundo perde uma das vozes mais originais da literatura e do cinema contemporâneos, mas deixa um legado que continuará inspirando leitores, artistas e defensores da liberdade em todo o planeta.