31 de julho de 2025
SUPERLOTAÇÃO

Alagoas tem mais de 1,7 mil presos além da capacidade do sistema penitenciário

Estado tem mais de 6,2 mil detentos para pouco mais de 4,4 mil vagas

Por Redação
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Sistema prisional de Alagoas abriga mais de 6,2 mil detentos, número superior à capacidade oficial das unidades do estado. - Foto: Arquivo/Pei Fon/Agência Alagoas

A superlotação dos presídios continua crescendo no Brasil e Alagoas acompanha a tendência nacional. Dados do sistema Geopresídios, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que o estado possui capacidade para abrigar 4.499 pessoas privadas de liberdade, mas atualmente mantém 6.217 detentos em suas unidades prisionais. O excedente é de 1.718 presos, o que representa uma ocupação cerca de 38% acima da capacidade instalada.

O cenário local reflete o agravamento da crise carcerária brasileira. Em apenas seis meses, a taxa de ocupação dos presídios do país saltou de 150,3% para 161,7%, segundo levantamento atualizado até a última sexta-feira (12). O déficit nacional de vagas chegou a 298.875, um aumento significativo em comparação ao registrado no fim de 2025.

Em Alagoas, mais da metade da população carcerária ainda aguarda julgamento. Dos 6.217 presos contabilizados, 3.313 estão em prisão preventiva, o equivalente a 53,3% do total. Outros 2.895 cumprem pena em regime fechado, representando 46,6% dos custodiados.

Os dados também revelam o perfil predominante da população prisional alagoana. Os homens representam 96,4% dos presos no estado, somando 6.176 detentos. Já as mulheres correspondem a 3,6% do total, com 230 internas.

No cenário nacional, o levantamento realizado pelo CNJ em 1.836 estabelecimentos prisionais apontava, no último trimestre de 2025, a existência de 726.149 pessoas privadas de liberdade para 483.258 vagas disponíveis. Em junho de 2026, o número de vagas aumentou apenas 0,16%, passando para 484.016. No mesmo período, porém, a população carcerária cresceu 7,81%, alcançando 782.891 presos.

Com isso, a diferença entre o número de detentos e a capacidade do sistema penitenciário brasileiro saltou de 242.891 para 298.875 vagas em apenas seis meses.

O aumento da superlotação reacendeu debates em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2015, que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A proposta foi aprovada na última semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e ainda será analisada por uma comissão especial antes de seguir para votação em plenário.

Especialistas alertam que a eventual aprovação da medida pode pressionar ainda mais o sistema penitenciário. O professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência, Rafael Mafei Blotta, avalia que o aumento do encarceramento não necessariamente resulta na redução dos índices de violência.

“Os países que têm maiores taxas de encarceramento não diminuem a violência e, muitas vezes, só aumentam”, afirmou o especialista.

Sistema prisional de Alagoas

Atualmente, Alagoas conta com 11 unidades prisionais em funcionamento, administradas pela Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris). Dez delas estão localizadas no Complexo Penitenciário de Maceió e uma no interior do estado.

Entre as principais unidades estão a Penitenciária Masculina Baldomero Cavalcanti de Oliveira, o Presídio de Segurança Máxima, o Presídio Feminino Santa Luzia, a Penitenciária de Segurança Máxima II, o Presídio do Cyridião Durval, a Casa de Custódia da Capital, a Cadeia Pública de Maceió e o Núcleo Ressocializador da Capital.

No interior, o sistema conta com o Presídio do Agreste, localizado no município de Girau do Ponciano, responsável por atender a demanda da região agrestina.