31 de julho de 2025
POLÍCIA

Relatório aponta fotos de Deolane com familiares de Marcola e reforça investigação sobre suposta ligação com o PCC

Documento do Ministério Público de São Paulo cita registros fotográficos, conexões em redes sociais e movimentações financeiras atribuídas à influenciadora

Por Redação
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Proximidade de Deolane Bezerra com cunhada de Marcola ampliou suspeitas, diz polícia - Foto: Reprodução/TV Globo

Novas informações reveladas em relatório do Ministério Público de São Paulo reforçam a investigação que apura uma suposta ligação da influenciadora digital Deolane Bezerra com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O documento, elaborado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, aponta a existência de fotos da advogada ao lado de familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção criminosa.

De acordo com a investigação, Deolane aparece em registros publicados nas redes sociais ao lado de Francisca Alves da Silva, esposa de Alejandro Camacho Júnior, irmão de Marcola. Outras imagens também mostram a influenciadora participando de eventos familiares ao lado de sobrinhos do líder da organização criminosa.

O relatório destaca ainda que Deolane seguia em uma rede social Victoria Alves Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e filha de Alejandro e Francisca. Atualmente, o perfil da jovem encontra-se desativado.

As informações integram o inquérito que resultou na prisão da influenciadora durante a Operação Vérnix, deflagrada em maio deste ano. Segundo as investigações, a operação identificou um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora de cargas ligada à cúpula do PCC. A empresa, sediada no interior paulista, teria movimentado recursos por meio de contas de terceiros para dificultar o rastreamento dos valores.

Deolane Bezerra é apontada pelos investigadores como uma das beneficiárias dessas movimentações financeiras. O Ministério Público sustenta que contas bancárias ligadas à advogada teriam recebido recursos provenientes do esquema investigado.

O documento também afirma que a influenciadora teria utilizado empresas próprias e pessoas físicas como intermediárias para movimentar valores considerados de origem ilícita. A investigação aponta ainda que ela teria discutido estratégias para reestruturar seus negócios e direcionar recursos para fundos sediados em Dubai, local frequentemente citado em investigações internacionais envolvendo empresas de fachada e lavagem de dinheiro.

Além de Deolane, o Ministério Público denunciou à Justiça nomes ligados à família Camacho, incluindo o próprio Marcola, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que seguem foragidos, segundo a Promotoria.

Mesmo cumprindo pena em presídios federais de segurança máxima, Marcola e Alejandro são acusados de continuar participando de atividades criminosas relacionadas à organização, conforme sustenta a investigação.

A defesa de Deolane Bezerra nega qualquer envolvimento da influenciadora com o crime organizado. Em manifestações anteriores, os advogados afirmaram que a empresária não possui ligação com integrantes da facção e que irá comprovar sua inocência durante o processo judicial.

Já a defesa de Marcola, Alejandro e dos demais familiares denunciados contestou as acusações, alegando que os investigados estão submetidos a rígidas restrições de comunicação e que os vínculos familiares não podem ser utilizados como prova de participação em atividades criminosas.

O caso segue sob análise da Justiça paulista e integra uma das maiores investigações recentes sobre lavagem de dinheiro supostamente ligada ao PCC.