31 de julho de 2025
PTK

Pré-candidato do MDB de Alagoas envolvido com o CV tem prisão mantida após audiência de custódia

Investigação aponta que facção criminosa buscava ampliar influência política por meio de candidatura ligada ao grupo; polícia apreendeu dinheiro, celulares e joias

Por Redação
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Patrick Almeida, conhecido como PTK, havia se filiado ao MDB e articulava projeto político para 2026 quando foi preso durante operação contra integrantes do Comando Vermelho. - Foto: Reprodução

O pré-candidato a deputado federal pelo MDB de Alagoas, Patrick de Almeida Silva, conhecido como PTK, teve a prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia e já foi encaminhado ao sistema prisional alagoano. A informação foi confirmada pelo delegado Igor Diego, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), responsável pelas investigações que resultaram na deflagração da Operação Morro do Alemão.

PTK foi preso nesta quarta-feira (4) durante uma ação coordenada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil, o influenciador é investigado por suposta ligação com o grupo e por participação em uma estratégia que buscava ampliar a influência da organização criminosa no cenário político alagoano.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam com o investigado cerca de R$ 20 mil em espécie, dois aparelhos celulares iPhone, um pen drive e dois anéis de ouro.

Um dos principais elementos da investigação é um áudio obtido pela Polícia Civil que registra uma conversa entre PTK e José Emerson da Silva, conhecido como “Nem Catenga”, apontado pelas autoridades como líder do Comando Vermelho em Alagoas.

Na gravação, o suposto chefe da facção afirma que o grupo precisava de uma “voz ativa” na política e defende a necessidade de ter “um representante nosso” para defender interesses ligados às comunidades onde a organização possui influência.

Em resposta, PTK afirma que estaria aberto ao diálogo e declara que sua intenção era atuar em favor das comunidades periféricas.

Segundo os investigadores, o conteúdo reforça a suspeita de que o influenciador teria sido escolhido pela facção para disputar um cargo eletivo em Maceió durante as eleições municipais de 2024.

De acordo com o delegado Igor Diego, as investigações apontam que o Comando Vermelho buscava consolidar sua atuação em Alagoas por meio de uma estrutura que envolvia influência territorial, financeira e política.

A análise patrimonial do influenciador também passou a integrar uma das principais linhas investigativas.

Segundo os delegados responsáveis pelo caso, não foram identificadas declarações de renda compatíveis com o padrão de vida, os bens e as movimentações financeiras atribuídas ao investigado.

A Polícia Civil apura a origem dos recursos movimentados e eventuais vínculos com atividades criminosas.

Filiação partidária e pré-candidatura

Documentos da Justiça Eleitoral apontam que Patrick de Almeida Silva se filiou ao MDB de Alagoas, do governador Paulo Dantas e dos senadores Renan Calheiros e Renan Filho, em março deste ano. Nas redes sociais, ele vinha divulgando sua pré-candidatura a deputado federal para as eleições de 2026.

Nos últimos meses, o influenciador intensificou sua atuação junto a comunidades de Maceió e ampliou sua presença entre mototaxistas, entregadores por aplicativo e moradores de bairros periféricos da capital.

A prisão ocorre justamente no momento em que PTK buscava consolidar espaço político no estado.

Operação cumpriu 51 mandados

A Operação Morro do Alemão foi autorizada pela 17ª Vara Criminal da Capital e cumpriu 51 mandados judiciais, sendo 20 de prisão e 31 de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares.

As ações ocorreram em Maceió, Marechal Deodoro e no estado do Rio de Janeiro, com apoio das polícias Civil e Militar de Alagoas, além da Polícia Civil fluminense.

Até o momento, nove pessoas foram presas durante a ofensiva policial.

Segundo a SSP-AL, as investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.

A defesa de Patrick de Almeida Silva não havia se pronunciado sobre as acusações até a última atualização do caso.

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