PTK bateu à porta de outros partidos, foi recusado e acabou no MDB antes de ser preso
Influenciador preso por suspeita de ligação com o Comando Vermelho teria buscado espaço no Progressistas e no Podemos antes de anunciar pré-candidatura a deputado federal pelo MDB
Publicado em
O influenciador digital Patrick Almeida, conhecido como PTK, preso nesta quarta-feira (3) durante a Operação Morro do Alemão, tentou viabilizar sua entrada na política ainda nas eleições municipais de 2024, quando buscou filiação em diferentes partidos para disputar uma vaga na Câmara de Vereadores de Maceió.
Segundo informações de bastidores, PTK procurou espaço tanto no Progressistas quanto no Podemos, mas não conseguiu viabilizar sua candidatura. Sem tempo hábil para uma nova filiação dentro do prazo eleitoral, acabou ficando fora da disputa daquele ano.
A entrada formal na política só ocorreu em 2026, quando o influenciador conseguiu se filiar ao MDB de Alagoas, partido liderado pelo governador Paulo Dantas e que integra o grupo político do senador Renan Calheiros e do ex-ministro dos Transportes Renan Filho.
No mês de maio, PTK chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais anunciando sua pré-candidatura a deputado federal pela legenda. A expectativa era que ele integrasse a chapa que dará sustentação ao projeto político de Renan Filho para a disputa ao Governo de Alagoas nas eleições de 2026.
Nos bastidores, PTK era apontado como um nome com potencial eleitoral, especialmente pela forte presença nas redes sociais e pela aproximação com moradores de comunidades, mototaxistas, entregadores por aplicativo e trabalhadores informais. Aliados avaliavam que o influenciador poderia converter sua popularidade digital em votos.
PRISÃO NA OPERAÇÃO MORRO DO ALEMÃO
A trajetória política de PTK, porém, sofreu um revés nesta quarta-feira com sua prisão durante a Operação Morro do Alemão, deflagrada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL).
Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACCO), o influenciador é apontado como integrante do Comando Vermelho (CV) e teria atuado em uma estratégia da facção para ampliar sua influência política no estado.
De acordo com a polícia, PTK teria sido escolhido por José Emerson da Silva, conhecido como "Nem Catenga", apontado como líder do Comando Vermelho em Alagoas, para disputar uma vaga de vereador em Maceió nas eleições de 2024 e representar os interesses da organização criminosa dentro do Legislativo municipal.
A Operação Morro do Alemão cumpre 51 mandados judiciais, sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão, em Alagoas e no Rio de Janeiro. Até o momento, nove pessoas foram presas em Maceió, Marechal Deodoro e na capital fluminense.
As investigações apontam que a cúpula do Comando Vermelho buscava ampliar sua atuação territorial em Alagoas por meio de uma estrutura organizada e articulada. A ação mobilizou equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e do Departamento Estadual de Aviação (DEA).