31 de julho de 2025
epidemia

Entenda qual risco de o vírus da Ebola chegar ao Brasil

O Ministério da Saúde do Brasil mantém ativo o Plano de Resposta de Emergência em Saúde Pública

Por Redação
Publicado em
O contágio pelo vírus ocorre exclusivamente por meio do contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados - Foto: Divulgação/OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de Ebola iniciado na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, como uma emergência de saúde pública de importância internacional. A medida foi motivada pela confirmação de dois casos na capital de Uganda, Kampala, em indivíduos que realizaram deslocamento terrestre a partir do território congolês, indicando o potencial de propagação geográfica da doença. O balanço estatístico oficial aponta o registro de 536 casos suspeitos, 105 prováveis, 36 confirmações laboratoriais e 135 óbitos consolidados entre os dois países africanos envolvidos. O Ministério da Saúde do Brasil mantém ativo o Plano de Resposta de Emergência em Saúde Pública, que estabelece diretrizes técnicas para a identificação de passageiros procedentes da região afetada em portos e aeroportos nacionais.

A variante identificada nas amostras biológicas dos pacientes é o vírus Bundibugyo, linhagem detectada originariamente no ano de 2007 e que causa o seu terceiro surto documentado na história epidemiológica. Diferente da cepa Zaire, contra a qual existem vacinas aprovadas e distribuídas globalmente, a linhagem Bundibugyo não possui imunizantes preventivos ou medicamentos antivirais específicos registrados até o momento. Em decorrência dessa limitação biológica, as condutas médicas aplicadas nas unidades de tratamento limitam-se a procedimentos terapêuticos de suporte, que compreendem a reposição de fluidos por via intravenosa para conter a desidratação, a regulação da pressão arterial e a administração de medicamentos para o controle sintomático de hemorragias gastrointestinais e das mucosas.

O contágio pelo vírus ocorre exclusivamente por meio do contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados, tais como sangue, secreções, fezes e vômito, ou pelo manejo de carcaças de animais silvestres mortos pela infecção, não havendo transmissão por via aérea ou por gotículas respiratórias a distância. O período de incubação do patógeno varia de 2 a 21 dias, e a transmissibilidade inicia-se apenas com o surgimento dos primeiros sintomas clínicos, que mimetizam os quadros de dengue grave e febre amarela, incluindo febre alta súbita, dor muscular e queda na contagem de plaquetas. O histórico de atendimento do sistema de saúde brasileiro no manejo dessas arboviroses confere aos profissionais médicos e de enfermagem familiaridade técnica com os protocolos de estabilização de síndromes hemorrágicas.

Infectologistas e especialistas em imunizações apontam que, embora o risco de introdução do vírus no território nacional seja categorizado como baixo pela OMS para nações sem fronteiras terrestres com a área afetada, a manutenção dos mecanismos de vigilância é necessária devido ao fluxo de viagens internacionais. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, e o coordenador de infectologia do Hospital Brasília, André Bon, ressaltam que o país possui capacidade de resposta para o isolamento em leitos de alta segurança e rastreamento de contatos, a exemplo do protocolo executado em 2014 para a investigação de um caso suspeito importado que acabou descartado após exames laboratoriais, reforçando a importância da notificação imediata de sintomas febris em pessoas com histórico de trânsito pela República Democrática do Congo.

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