Maceió registra aumento de casos graves de doenças respiratórias; mortes por influenza disparam em Alagoas
Estado já contabiliza seis mortes por influenza em 2026, cinco vezes mais que no mesmo período do ano passado; especialista faz alerta para crianças e idosos
Publicado em
Alagoas vive um cenário de alerta com o aumento dos casos graves de doenças respiratórias em 2026. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) apontam crescimento nas mortes por influenza e avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente em Maceió. O cenário preocupa autoridades de saúde e especialistas, principalmente diante da maior circulação de vírus respiratórios neste período do ano.
Entre janeiro e abril deste ano, o estado registrou seis mortes por influenza, número cinco vezes maior do que o contabilizado no mesmo período de 2025. O primeiro óbito foi confirmado em março, no município de São Sebastião, e teve como vítima uma criança de apenas dois anos. Ainda no mesmo mês, um menino de sete anos morreu em Arapiraca, reforçando o alerta sobre os riscos das infecções respiratórias em crianças.
Em abril, outras quatro mortes foram registradas nos municípios de Maceió, Marechal Deodoro, Joaquim Gomes e Palmeira dos Índios. Segundo a Sesau, todas as vítimas tinham mais de 70 anos, faixa etária considerada mais vulnerável ao agravamento da doença. A secretaria informou ainda que um caso suspeito segue sob investigação na capital alagoana.
Especialistas apontam que o aumento dos casos está relacionado à intensa circulação de vírus respiratórios, como influenza e vírus sincicial respiratório (VSR), além da baixa cobertura vacinal e das mudanças climáticas, fatores que favorecem o agravamento dos quadros.
A pneumologista pediátrica Rita Silva alerta que o momento exige atenção redobrada, principalmente com crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas com baixa imunidade. Segundo ela, muitos quadros começam de forma leve, mas podem evoluir rapidamente para situações mais graves.
“Estamos observando um aumento expressivo de casos respiratórios, muitos deles evoluindo com gravidade. As crianças menores de cinco anos são mais vulneráveis, principalmente aquelas com histórico de doenças respiratórias ou baixa imunidade. A circulação intensa de vírus neste período exige cuidados redobrados das famílias”, explicou a médica.
Entre os principais sintomas estão tosse persistente, febre, cansaço, chiado no peito e dificuldade para respirar. Nos casos mais graves, pode haver comprometimento da oxigenação, exigindo atendimento hospitalar imediato.
A especialista alerta que sinais como respiração acelerada, esforço para respirar, sonolência excessiva e dificuldade para se alimentar precisam ser observados com atenção. “O grande risco está na demora em procurar atendimento. Muitos quadros começam leves, mas evoluem rapidamente”, reforçou Rita Silva.
Como forma de prevenção, a médica orienta manter a vacinação em dia, especialmente contra a gripe, evitar ambientes fechados e aglomerações, higienizar as mãos com frequência e manter os espaços ventilados. Segundo ela, pequenas atitudes ajudam a reduzir significativamente os riscos de agravamento.
“A prevenção ainda é a principal forma de proteção. E, diante de qualquer sinal de agravamento, a orientação médica deve ser buscada imediatamente”, concluiu.