31 de julho de 2025
MUNDO

Diretor da OMS descarta “nova covid” após casos de hantavírus e nega risco de surto maior

Tedros Adhanom afirma que aumento de casos já era esperado após foco registrado em cruzeiro e reforça que risco para população segue baixo

Por Redação
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Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus. - Foto: Pippa Low/Divulgação

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (12) que o hantavírus “não é uma nova covid” e negou a existência de sinais de um surto de grandes proporções relacionado à doença. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa realizada em Madri, na Espanha, após o aumento de casos associados a um cruzeiro internacional.

Segundo Tedros, a expectativa de novos registros da infecção já era prevista pelas autoridades sanitárias devido ao intervalo entre o surgimento do primeiro caso no navio MV Hondius e a confirmação oficial da doença, além do contato próximo entre passageiros durante o período de incubação.

“Como vocês sabem, o período de incubação é de seis a oito semanas. Devido a essa interação, enquanto ainda estavam no navio, mesmo tomando algumas medidas preventivas, é de se esperar que haja mais casos”, explicou o diretor da OMS.

Durante a entrevista, Tedros reforçou em diversos momentos que o hantavírus não representa um cenário semelhante ao da pandemia de coronavírus e voltou a afirmar que não existem indícios de um “surto maior”.

A preocupação ganhou repercussão internacional após um foco da doença ser identificado entre passageiros do cruzeiro MV Hondius, que passou pelas Ilhas Canárias. Antes mesmo da chegada da embarcação a Tenerife, a OMS já havia reforçado publicamente que o risco para a população permanecia baixo.

Casos confirmados e mortes sob investigação

Até o momento, a OMS contabiliza nove casos confirmados e suspeitos, incluindo três mortes — um casal holandês, ambos de 69 anos, e um passageiro alemão.

Já o governo da Espanha trabalha com números ligeiramente diferentes e considera 11 casos, sendo nove confirmados e dois classificados como prováveis.

A divergência também envolve o diagnóstico de passageiros americanos evacuados do navio. Autoridades espanholas contestaram a interpretação dos Estados Unidos sobre testes realizados em dois cidadãos americanos, alegando que um dos exames foi apenas “fracamente positivo” e inconclusivo, enquanto outro resultado teria sido negativo.

Mesmo assim, os EUA optaram por classificar os casos como positivos e realizaram uma operação especial de evacuação para o estado de Nebraska.

Espanha diz ter adotado todas as medidas preventivas

O governo espanhol afirmou ter tomado “todas as medidas necessárias” para conter qualquer risco de transmissão do hantavírus após a identificação dos primeiros casos no navio.

Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, ações preventivas foram adotadas desde o início para interromper possíveis cadeias de contágio.

Entre os casos monitorados estão uma cidadã francesa, que apresentou sintomas durante voo para Paris e testou positivo, além de dois passageiros americanos retirados do cruzeiro, um deles com sintomas leves e outro sem sinais da doença.

Enquanto o monitoramento continua, a OMS insiste que o risco de disseminação ampla permanece baixo e reforça que o hantavírus não apresenta o mesmo potencial pandêmico observado na covid-19.

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