31 de julho de 2025
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De R$ 5 em show em Uberlância (MG) a Copacabana: a jornada de Shakira para conquistar o Brasil

Um anúncio de 1997, que viralizou recentemente, mostra a cantora ainda jovem e de cabelos pretos como atração da Exposição Agropecuária de Uberlândia (MG), com entradas a preço popular

Por Redação
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Um anúncio de 1997, que viralizou recentemente, mostra a cantora ainda jovem e de cabelos pretos como atração da Exposição Agropecuária de Uberlândia (MG), com entradas a preço popular - Foto: Reprodução/Redes sociais

O show gratuito da cantor Shakira, marcado para este sábado (2), parte do projeto "Todo Mundo no Rio", em Copacabana, faz parte de um ciclo de três décadas de uma relação entre a colombiana e o Brasil. Hoje, uma estrela global que cobra até R$ 1 mil por ingressos em arenas, Shakira iniciou sua trajetória no país de forma muito mais modesta: com apresentações que custavam apenas R$ 5.

Um anúncio de 1997, que viralizou recentemente, mostra a cantora ainda jovem e de cabelos pretos como atração da Exposição Agropecuária de Uberlândia (MG), com entradas a preço popular. Corrigido pela inflação (IGP-M), esse valor equivaleria hoje a cerca de R$ 43. Naquela época, o ingresso representava pouco mais de 4% do salário mínimo; hoje, uma entrada para a turnê "Las Mujeres Ya No Lloran" pode comprometer mais de 60% da renda mínima do brasileiro, refletindo a nova realidade do mercado de shows internacionais.

A estratégia de "dinheiro na veia" das gravadoras


O sucesso de Shakira no Brasil não foi por acaso. Luiz Calainho, então diretor de marketing da Sony Music, revela que houve um investimento pesado de US$ 2,8 milhões para quebrar a resistência do mercado nacional, onde 75% do consumo de música é voltado para artistas locais.

A estratégia incluiu um "périplo" por dezenas de cidades do interior, como Barretos e Ribeirão Preto, e aparições icônicas na TV. Em 1997, no programa Domingo Legal, a cantora chegou a aprender a "dança da bundinha" com Gugu Liberato para cair nas graças do povo. Além do carisma e do esforço em aprender português, a Sony firmou uma parceria agressiva com a rádio Jovem Pan: a emissora recebia US$ 1 por cada disco vendido. Como a artista ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias, a rádio lucrou sozinha mais de US$ 1 milhão.

O fim da era do CD e o novo mercado


Calainho explica que, nos anos 90, a rentabilidade da indústria fonográfica era "estratosférica". O custo de produção de um CD era de aproximadamente US$ 0,89, e a venda chegava a R$ 15 (na época, quase equivalente a US$ 15). "Era dinheiro na veia e na alma da gravadora", relembra o executivo.

Hoje, esse modelo seria inviável. Com o streaming dominando 88% do faturamento da indústria e as mídias físicas representando menos de 1%, o investimento em novos talentos estrangeiros mudou drasticamente. Atualmente, o lucro das estrelas globais migrou dos discos para as turnês monumentais em estádios — ou para parcerias em grandes eventos públicos, como o megashow que para o Rio de Janeiro neste fim de semana.

O espetáculo em Copacabana não é apenas um presente para os fãs, mas o símbolo máximo da consolidação de uma artista que, para chegar ao topo, começou tocando em parques de exposições por valores simbólicos.

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