31 de julho de 2025
ECONOMIA

Minha Casa, Minha Vida: novas regras entram em vigor nesta quarta (22) com imóveis de até R$ 600 mil e renda de R$ 13 mil

Mudanças ampliam acesso da classe média à casa própria com juros menores; Caixa e Banco do Brasil já operam financiamentos pelas novas faixas

Por Redação
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Imagem ilustrativa do Centro de São Paulo. - Foto: Diogo Moreira/MáquinaCW/Governo de SP

As novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) começam a valer nesta quarta-feira (22) e prometem facilitar o sonho da casa própria para a classe média. A partir de agora, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil passam a financiar imóveis de até R$ 600 mil para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.

As mudanças elevam os limites de renda e o valor máximo dos imóveis em todas as faixas do programa, permitindo a compra de unidades maiores ou melhor localizadas com juros mais baixos do que os praticados no mercado tradicional. Segundo o governo federal, pelo menos 87,5 mil famílias brasileiras devem ser beneficiadas com as taxas reduzidas.

Especialistas ouvidas pelo g1 afirmam que a classe média, que antes enfrentava restrições por causa dos juros altos e das limitações do programa, agora volta a ter condições de financiar seu imóvel.

Na prática, os novos limites de renda por faixa ficaram assim: a Faixa 1 subiu de R$ 2.850 para R$ 3.200; a Faixa 2, de R$ 4.700 para R$ 5.000; a Faixa 3, de R$ 8.600 para R$ 9.600; e a Faixa 4 (classe média), de R$ 12 mil para R$ 13 mil. Quanto menor a faixa, menores os juros. Com a ampliação, muitas famílias que estavam perto do corte migraram para uma faixa mais vantajosa. Por exemplo: quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil estava na Faixa 3, pagando juros de 8,16% ao ano. Agora, caiu para a Faixa 2 e passa a pagar 7% ao ano. Outro exemplo: famílias com renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600 estavam na Faixa 4, com juros de cerca de 10% ao ano, e agora se enquadram na Faixa 3, com taxas de até 8,16% ao ano.

Além da renda, o valor máximo dos imóveis também aumentou. Nas Faixas 1 e 2, o teto varia de R$ 210 mil a R$ 275 mil, dependendo da localidade. Na Faixa 3, o limite subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil — um acréscimo de R$ 50 mil. Na Faixa 4, o valor máximo foi de R$ 500 mil para R$ 600 mil — alta de R$ 100 mil. Com isso, as famílias conseguem comprar imóveis de padrão mais elevado ou em regiões melhores. A advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário, explica que, com o mesmo salário, é possível adquirir um imóvel melhor ou exigir uma entrada menor, já que o crédito ficou mais acessível. O governo estima que a atualização das faixas inclua cerca de 31,3 mil famílias na Faixa 3 e outras 8,2 mil na Faixa 4.

A economista Ana Maria Castelo, da FGV Ibre, destaca que as mudanças ocorrem em um momento desafiador para a classe média. Sem acesso ao MCMV, muitas famílias enfrentavam juros elevados no financiamento imobiliário, com a taxa Selic perto de 15% ao longo de 2025 (hoje em 14,75%). Agora, pessoas que estavam logo acima da faixa de corte do programa passam a ser incluídas, ampliando o acesso à casa própria. Vale lembrar que, até abril de 2025, o MCMV atendia apenas famílias com renda de até R$ 8 mil. Em maio do ano passado, foi criada a Faixa 4 para rendas de até R$ 12 mil. Agora, em abril de 2026, o teto subiu para R$ 13 mil — um salto de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano.

O programa bateu recorde de contratações em 2025 e foi o grande responsável por sustentar o setor da construção civil. Para a classe média que não se enquadrava no programa, o ano foi difícil, com taxas de financiamento altas. Agora, com as novas regras, a perspectiva é de alívio e mais oportunidades para realizar o sonho da casa própria.