31 de julho de 2025
internacional

Guerra com Israel força refugiados sírios a deixarem o Líbano e retornarem à Síria

Mais de 200 mil pessoas já cruzaram a fronteira desde março; maioria foge de bombardeios em território libanês

Por Redação
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Especialistas apontam que o retorno não indica melhora nas condições da Síria, mas sim o agravamento da situação no Líbano. - Foto: ONU

A intensificação do conflito entre Israel e o Líbano tem levado milhares de refugiados sírios a abandonar o território libanês e retornar à Síria, mesmo diante da crise humanitária persistente no país de origem.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 227 mil pessoas atravessaram os pontos oficiais de fronteira desde o início de março. Desse total, cerca de 95% são sírios que haviam fugido anteriormente da guerra civil e estavam refugiados no Líbano.

Os deslocamentos ocorrem após uma escalada de violência envolvendo o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, e ataques israelenses em território libanês. Um cessar-fogo temporário chegou a ser mediado pelos Estados Unidos, mas não impediu o êxodo.

No sul do Líbano, cidades como Tiro foram atingidas por bombardeios, forçando famílias a fugir novamente. Muitos refugiados fazem o caminho de volta à Síria mesmo sem condições mínimas de moradia.

Apesar do retorno, o cenário encontrado no país é de destruição e escassez. Regiões como Aleppo e Homs ainda apresentam infraestrutura devastada após anos de conflito. Segundo a Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, mais de 1 milhão de sírios permanecem registrados no Líbano, além de milhares fora das estatísticas oficiais.

Especialistas apontam que o retorno não indica melhora nas condições da Síria, mas sim o agravamento da situação no Líbano. Além da falta de moradia, os repatriados enfrentam riscos como minas terrestres e munições não detonadas, especialmente em áreas que foram palco de combates intensos.

Dados de organizações internacionais indicam que cerca de 15,6 milhões de pessoas ainda precisam de ajuda humanitária na Síria, enquanto milhões enfrentam insegurança alimentar e dificuldades de acesso a serviços básicos.

O fluxo migratório ocorre em meio a um cenário de instabilidade regional, evidenciando o impacto contínuo dos conflitos no Oriente Médio sobre populações civis já vulneráveis.