Desafios online colocam crianças e adolescentes em risco e acendem alerta no Congresso
Proposta endurece regras para plataformas e prevê punição para conteúdos que coloquem menores em risco
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Em meio ao avanço de desafios perigosos nas redes sociais, um projeto em discussão na Câmara dos Deputados busca reforçar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e responsabilizar quem lucra ou incentiva esse tipo de conteúdo.
A proposta estabelece regras mais rígidas para aplicativos, jogos, redes sociais e plataformas online acessadas por menores de idade. O objetivo é reduzir riscos como exposição à violência, exploração, abuso e práticas que podem causar danos físicos e psicológicos — muitas vezes incentivadas por “brincadeiras” virais.
O que está em jogo
O texto prevê que empresas de tecnologia terão de adotar medidas mais efetivas para impedir o acesso de crianças a conteúdos impróprios. Isso inclui materiais relacionados à violência, jogos de azar e desafios que colocam a saúde em risco.
Além disso, as plataformas deverão limitar a coleta e o uso de dados pessoais de menores e oferecer ferramentas de controle parental mais eficientes.
Outro ponto importante é o combate a mecanismos que incentivam o consumo dentro de jogos, como as chamadas “caixas de recompensa”, que podem estimular comportamento compulsivo em crianças.
Pressão sobre redes sociais
As redes sociais também passam a ter obrigações mais claras com a nova proposta. Entre as medidas previstas estão a vinculação de contas de crianças aos responsáveis legais, a emissão de alertas sobre os riscos do uso por menores, a restrição de conteúdos que busquem atrair esse público e o reforço nos sistemas de verificação de idade, como forma de ampliar a proteção no ambiente digital.
Na prática, a proposta tenta reduzir o alcance de conteúdos virais perigosos como desafios que incentivam automutilação, ingestão de substâncias ou outras práticas de risco.
O que acontece em caso de violação
Em situações mais graves, as plataformas deverão agir rapidamente. O projeto prevê que conteúdos ilegais ou perigosos sejam removidos de forma imediata, mesmo sem ordem judicial, além da obrigação de comunicar casos às autoridades e preservar provas para investigação.
Empresas que descumprirem as regras poderão sofrer sanções que vão de advertência e multa até suspensão das atividades.
Alerta crescente
A discussão ganha força diante de episódios recentes envolvendo desafios online que já causaram acidentes graves e até mortes no Brasil. Especialistas apontam que a combinação de redes sociais, algoritmos e busca por engajamento tem ampliado a exposição de crianças a esse tipo de conteúdo.
A proposta ainda precisa avançar em outras etapas no Congresso, mas já sinaliza uma tentativa de resposta ao crescimento desse problema — que, muitas vezes, começa dentro do celular e termina com consequências reais fora da tela.