31 de julho de 2025
ENTREVISTA

Lula critica Trump e diz que “mundo não dá direito” a ameaçar países

Presidente brasileiro, em entrevista ao El País, afirmou que nenhum país tem o direito de ferir a soberania alheia. Também comentou risco de Terceira Guerra Mundial e situação de Cuba e Venezuela

Por Redação
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a Irã, Cuba e Venezuela. Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16), Lula afirmou que “o mundo não lhe dá direito” de ameaçar países com os quais não concorda.

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU”, declarou o presidente brasileiro.

Lula comentou ainda as ameaças recentes de Trump ao Irã (que incluíram a possibilidade de genocídio caso o país não aceitasse os termos dos EUA para o fim da guerra no Oriente Médio), além das intervenções em Cuba e na Venezuela. “Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.

O presidente também alertou para o risco de uma Terceira Guerra Mundial, caso as atitudes unilaterais persistam. “Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”. Questionado se acredita na possibilidade, respondeu: “se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”.

Cuba e Venezuela
Lula condenou o endurecimento do bloqueio energético contra Cuba, que já dura quase 70 anos. “Não tem explicação um bloqueio durante 70 anos”, disse, questionando por que não há a mesma preocupação com o Haiti. Sobre a Venezuela, defendeu que o resultado da eleição de julho de 2024 fosse acatado para que o país vizinho “pudesse voltar a ter paz”, criticando a ideia de que os EUA possam “administrar” o país.

Taxação
Sobre as tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros entre abril e agosto de 2025, Lula relembrou seu encontro com o presidente americano: “Eu nunca pedirei para ele concordar ideologicamente comigo […] Dois chefes de Estado não têm que pensar ideologicamente. Eu tenho que pensar como chefe de Estado”. Após negociações, as tarifas foram retiradas em novembro de 2025, e em fevereiro de 2026 a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço.