31 de julho de 2025
segunda fase

SUS capacita profissionais para ampliar distribuição de implantes hormonais

Ministério da Saúde inicia segunda fase de treinamentos para inserção do Implanon; método de longa duração tem eficácia por três anos e será priorizado em municípios com menos de 50 mil habitantes

Por Redação
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Previsão da pasta é qualificar mais 11 mil profissionais - Foto: Rogério Capela/PMC

O Ministério da Saúde deu início à segunda fase das oficinas de qualificação para a inserção do implante contraceptivo de etonogestrel sob a pele, conhecido comercialmente como Implanon, no Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão da pasta é capacitar 11 mil profissionais entre médicos e enfermeiros para ampliar a oferta do método na rede pública, com um total de 32 treinamentos presenciais que combinam teoria e prática com o uso de simuladores anatômicos. A carga horária foi ampliada para 12 horas no caso dos enfermeiros e para seis horas para os médicos, e os encontros também incluem espaços de diálogo com gestores estaduais e municipais para apoiar a implementação do contraceptivo nos territórios, com foco especial em municípios de até 50 mil habitantes.

Em nota oficial, o ministério destacou que as oficinas buscam qualificar os profissionais não apenas para a inserção e retirada do implante, mas também para o manejo de possíveis intercorrências. “E reforçar a conduta nas consultas em saúde sexual e reprodutiva com uma abordagem abrangente, que inclui direitos sexuais e reprodutivos, dignidade menstrual, enfrentamento ao racismo, abordagem às violências na atenção primária à saúde e todos os demais métodos contraceptivos ofertados no SUS”, informou a pasta. Os números da iniciativa são expressivos: em 2025, o ministério distribuiu 500 mil unidades do implante aos estados, priorizando municípios com mais de 50 mil habitantes e critérios de vulnerabilidade social. Para 2026, está prevista a entrega de mais 1,3 milhão de implantes subdérmicos, sendo que 290 mil já foram entregues. Na rede privada, o mesmo método pode custar até R$ 4 mil, o que torna a oferta pública um avanço significativo no acesso à contracepção de longa duração para mulheres de baixa renda.

Segundo a pasta, o implante subdérmico é considerado vantajoso para prevenir a gravidez não planejada em razão de sua alta eficácia e longa duração, podendo atuar no organismo por até três anos. Após esse período, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo pode ser inserido imediatamente. “A fertilidade retorna rapidamente após a remoção”, destacou o ministério. O Implanon se soma aos métodos contraceptivos já disponíveis gratuitamente no SUS, como preservativos externos e internos, DIU de cobre, anticoncepcionais orais combinados e de progestagênio, pílulas de emergência, laqueadura tubária bilateral e vasectomia, entre outros. O Ministério da Saúde reforça, no entanto, que apenas os preservativos oferecem proteção contra infecções sexualmente transmissíveis, sendo fundamental associar o implante ao uso de camisinha para prevenção combinada. Com a nova fase de capacitações, o governo espera descentralizar ainda mais o acesso ao método, levando contracepção de alta eficácia a regiões que historicamente enfrentam dificuldades de oferta de serviços de planejamento familiar.