Tensão entre Colômbia e Equador: bomba que cruzou fronteira foi acidente, aponta investigação
A relação entre os países está conturbada desde janeiro, quando o Equador anunciou tarifas de 30% sobre produtos colombianos — aumentadas para 50% em fevereiro
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O Ministério da Defesa da Colômbia concluiu, em uma investigação conjunta com o Equador, que a bomba do Exército equatoriano encontrada em território colombiano entrou no país por acidente. De acordo com a apuração, o explosivo caiu no Equador e ricocheteou, o que fez com que atravessasse a fronteira.
O episódio foi mais um capítulo das tensões na relação entre os países vizinhos. Na terça-feira passada (17), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que uma bomba não detonada foi encontrada no país e que ela tinha vindo do Exército equatoriano.
Por outro lado, o presidente do Equador, Daniel Noboa, disse que o país, em "guerra contra o narcotráfico", tem realizado bombardeios contra traficantes apenas em seu próprio território.
De acordo com o ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sanchez, a comissão binacional concluiu, nessa segunda-feira (23), que o bombardeio não foi dirigido contra a Colômbia.
"As evidências indicam que o ponto de impacto inicial da bomba foi no território equatoriano e que ela teria ricocheteado aproximadamente 210 metros para o território colombiano. O artefato não detonou e não foi registrado nenhum impacto na população", disse.
A relação entre os países está conturbada desde janeiro, quando o Equador anunciou tarifas de 30% sobre produtos colombianos — aumentadas para 50% em fevereiro, alegando que o governo colombiano "não implementou ações suficientes para resolver problemas do narcotráfico na região". Em resposta, a Colômbia impôs taxas recíprocas contra produtos do país vizinho.
Bombardeios do Equador
O Equador está empregando uma força-tarefa de 75 mil homens, entre militares e policiais, em uma "guerra ao narcotráfico". A atuação, segundo o Exército equatoriano, tem foco em quatro províncias: Guayas, El Oro, Los Ríos e Santo Domingo de los Tsáchilas.
Moradores locais têm que acatar um toque de recolher noturno, e quem não obedecer pode pegar até três anos de prisão, informou o ministro do Interior do Equador, John Reimberg.
O episódio da bomba encontrada em território colombiano acirrou ainda mais as tensões entre os dois países, que já vinham de um histórico de desgaste diplomático e comercial. A investigação binacional, no entanto, aponta para um incidente acidental, sem intenção de atingir o lado colombiano. Apesar do desfecho técnico, analistas avaliam que as relações devem permanecer sensíveis nos próximos meses.