Paraíba: mulher morre e mais de 100 pessoas passam mal após comer em pizzaria; dono diz não saber o que aconteceu
Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, servidora pública, foi sepultada nesta quarta (18). Polícia investiga intoxicação alimentar e Vigilância Sanitária encontra pragas e alimentos mal acondicionados no estabelecimento
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O enterro de Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, vítima de um surto de intoxicação alimentar em Pombal, no Sertão da Paraíba, foi realizado na manhã desta quarta-feira (18), sob forte comoção. A servidora pública municipal morreu na terça (17) após comer uma pizza de carne de sol em uma pizzaria da cidade, acompanhada do namorado. O caso já contabiliza 118 pessoas que procuraram atendimento médico com sintomas de intoxicação, e uma criança de 8 anos segue internada.
Raíssa era engenheira agrônoma e atuava na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, onde era descrita por colegas e familiares como uma pessoa "alegre, simples e acolhedora" . Na noite de domingo (15), ela e o namorado jantaram no estabelecimento. Horas depois, ambos começaram a passar mal, foram ao hospital, receberam atendimento e foram liberados. No entanto, na manhã de segunda (16), o quadro de Raíssa se agravou. Ela deu entrada novamente no Hospital Regional de Pombal e foi encaminhada à UTI em estado gravíssimo, com um quadro infeccioso que evoluiu rapidamente. A morte foi confirmada por volta das 8h59 de terça.
O surto atingiu proporções alarmantes. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pombal atendeu 44 pacientes com sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais e diarreia. Já o Hospital Regional registrou outros 74 atendimentos – 36 no domingo e 38 na segunda-feira. Todos relataram ter consumido pizzas da La Favoritta, estabelecimento localizado no Centro da cidade . Até a noite de terça, 44 pacientes da UPA já haviam recebido alta. No hospital, além da vítima fatal, uma criança de 8 anos e outra mulher seguiam internadas.
O proprietário da pizzaria, Marcos Antônio Gomes Neto, de 24 anos, que está há seis anos no ramo, quebrou o silêncio em um vídeo divulgado pela defesa. Visivelmente abalado, ele afirmou não saber o que causou a contaminação e garantiu estar colaborando com as investigações. "Jamais tive a intenção de machucar qualquer pessoa. Meu comércio é minha vida. Minha última intenção seria prejudicar justamente os clientes que me dão o sustento", disse.
A advogada do empresário, Raquel Dantas, pediu cautela e afirmou que, durante a inspeção da Vigilância Sanitária, não foram encontrados produtos vencidos ou sinais aparentes de contaminação. "Só a perícia poderá nos dar essas respostas", declarou.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar os crimes de homicídio culposo e venda de produto impróprio ao consumo. A Vigilância Sanitária Municipal interditou o estabelecimento ainda na segunda-feira (16). Em uma inspeção conjunta com a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), foram encontradas diversas irregularidades, incluindo pragas, insetos, alimentos mal acondicionados, instalações elétricas expostas e falta de documentação obrigatória.
O delegado Rodrigo Barbosa, responsável pelo caso, informou que a polícia considera improvável a hipótese de envenenamento intencional, já que funcionários da própria pizzaria também passaram mal após consumirem os alimentos. A principal suspeita recai sobre a carne de sol utilizada no preparo das pizzas, já que tanto a vítima quanto outros clientes relataram ter pedido esse sabor.
Amostras dos alimentos e materiais coletados no local foram enviadas para análise, e o corpo de Raíssa passará por exames toxicológicos. O resultado deve sair em cerca de duas semanas e será crucial para determinar a causa exata da intoxicação em massa que chocou a cidade e o estado.