Ataque em escola em Pernambuco: vítima mais grave está estável e consciente no HR, diz boletim médico
Garota de 14 anos levou quatro golpes de faca nas costas e no abdômen; outras duas estudantes já receberam alta. Agressor, de 14 anos, foi apreendido e transferido por segurança
Publicado em
A estudante de 14 anos que ficou em estado mais grave após o ataque com faca na Escola de Referência em Ensino Fundamental Cristiano Barbosa e Silva, em Barreiros (PE), apresenta quadro de saúde estável. De acordo com boletim médico divulgado pelo Hospital da Restauração (HR), no Recife, na manhã desta terça-feira (17), a paciente está “consciente e orientada”.
A adolescente foi transferida para o HR na segunda-feira (16) após ser atendida inicialmente no Hospital Municipal de Barreiros. Ela levou quatro golpes de arma branca: um no abdômen e três nas costas.
O médico Michael Zimmermann, que atendeu a jovem logo após o ataque, explicou que uma das perfurações nas costas atingiu a região próxima à medula espinhal. “Ela estava com sintomas nas pernas, com formigamento. A perna esquerda ela não estava conseguindo levantar. Por isso, encaminhamos para avaliação do especialista em neurocirurgia”, disse.
Segundo o profissional, ainda é cedo para afirmar se houve lesão medular. “Pode estar em aberto alguma complicação em nível da medula óssea. Pode trazer prejuízo para a saúde na questão de paralisia dos membros inferiores. Fizemos exames de tomografia e radiografia, não deram alteração, mas a clínica é soberana”, detalhou.
A jovem relatou que sentiu “um choque” no pé no momento em que foi golpeada, sintoma comum quando nervos são atingidos.
As outras duas estudantes feridas, ambas de 14 anos, já receberam alta hospitalar e estão em casa. Uma delas foi atingida na testa e no braço; a outra, nas costas e no supercílio . A mãe de uma das vítimas descreveu o momento em que encontrou a filha como uma “cena de terror”.
O autor do ataque, um adolescente de 14 anos, aluno da mesma unidade, foi apreendido pela Polícia Militar logo após o crime. Por questões de segurança, ele foi transferido para uma cidade vizinha. A Polícia Civil investiga o caso.
Versões divergentes circulam sobre a motivação. A avó do adolescente afirmou que ele sofria bullying na escola e que a família teria procurado a direção, que não teria tomado providências. No entanto, o pai de uma das vítimas nega a versão. “Ele não tem autismo como estão alegando e não houve bullying. As pessoas estão criando uma narrativa para justificar o ocorrido”, disse.
A governadora Raquel Lyra (PSD) afirmou nas redes sociais que acompanha o caso e garantiu que “a situação está sob controle e as vítimas estão fora de perigo”. Ela reforçou que “em Pernambuco, escola é lugar de paz”.